Defesa de Daniel Vorcaro pede ao STF investigação sobre vazamentos
Advogados afirmam que mensagens de celulares apreendidos foram divulgadas antes mesmo de terem acesso ao conteúdo integral do material
247 - A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação para identificar a origem de vazamentos de informações sigilosas relacionadas à apreensão de telefones celulares no âmbito de uma investigação em curso.
Segundo nota divulgada nesta sexta-feira (6), os advogados pediram que a Corte apure quem teve acesso ao material e se houve quebra do dever de sigilo na custódia dos dados extraídos dos aparelhos.
De acordo com a defesa, o espelhamento das informações contidas nos celulares apreendidos foi entregue aos advogados apenas em 3 de março de 2026. Na ocasião, o HD com os dados foi lacrado imediatamente na presença de autoridade policial, advogados e um tabelião, procedimento que teria sido adotado justamente para garantir a preservação do sigilo das informações.
Apesar disso, os representantes de Vorcaro afirmam que mensagens supostamente retiradas desses aparelhos começaram a circular na imprensa antes mesmo de a própria defesa ter acesso ao conteúdo completo. Segundo a nota, diferentes veículos passaram a divulgar diálogos atribuídos aos celulares apreendidos nos últimos dias.
Entre os materiais divulgados estariam conversas de natureza íntima e pessoal, além de mensagens que mencionariam terceiros que não têm relação com os fatos investigados. A defesa também menciona a divulgação de supostos diálogos envolvendo autoridades públicas e até o ministro do STF Alexandre de Moraes, os quais, segundo os advogados, podem ter sido editados ou retirados de contexto.
Diante do que classificou como uma situação grave, a defesa solicitou ao STF a instauração de um inquérito para identificar a origem dos vazamentos. Também foi requerido que a autoridade policial apresente uma lista com todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
Os advogados enfatizam que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou pessoas que eventualmente tenham recebido as informações. O foco, segundo a defesa, é apurar se houve violação do dever legal de sigilo por parte de quem estava responsável pela guarda do material.
Na nota, os advogados afirmam esperar que eventuais responsáveis por quebrar o sigilo funcional sejam identificados e responsabilizados, ressaltando que a divulgação de conteúdos privados pode expor pessoas sem ligação com a investigação e prejudicar o esclarecimento dos fatos.
Leia, na íntegra, a nota da defesa de Vorcaro:
A defesa de Daniel Vorcaro informa que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a instauração de investigação para apurar a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos no curso da investigação.
O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material. Conversas íntimas, pessoais e que expõem terceiros não envolvidos com os fatos, além de supostos diálogos com autoridades e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes, talvez editadas e tiradas de contexto, têm sido divulgadas para os mais diversos órgãos de comunicação.
Diante da gravidade da situação, a defesa requereu que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
A defesa ressalta que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou terceiros que eventualmente tenham recebido informações, mas apurar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter violado esse dever.
Espera-se que as autoridades que violaram seu dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõe pessoas sem relação com a investigação, bem como atrapalham os trabalhos de esclarecimento dos fatos.


