Divisão na direita: Eduardo Leite critica pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e admite possível disputa ao Senado
Governador do RS avalia cenário eleitoral e defende rompimento com "polarização política" no país
247 - O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou nesta quinta-feira (22) que não descarta disputar uma vaga no Senado, mas disse que sua prioridade é a construção de uma candidatura nacional capaz de romper com o que enxerga como uma polarização política no Brasil. Ao tratar do campo da direita, o político avaliou que uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria maior capacidade de diálogo com o centro político.
Em entrevista ao SBT News, Leite criticou a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ser indicado como candidato da direita à Presidência da República. Para o governador, a articulação não representa um projeto político. "Quando o ex-presidente indica o próprio filho como candidato, fica evidente que não se trata de um projeto de país, mas de um projeto pessoal e familiar", afirmou.
Críticas à polarização e ao debate político
Segundo Leite, o cenário eleitoral segue marcado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o bolsonarismo, o que, em sua avaliação, compromete o debate público. "Há muita energia na destruição do adversário e pouca na construção de propostas", disse.
Leite afirmou que mantém críticas tanto ao PT, pela condução da política econômica e da administração pública, quanto ao bolsonarismo, que, segundo ele, promove ataques às instituições e adota um conservadorismo hostil a minorias e à diversidade. Essa posição, disse, o coloca sob críticas de ambos os lados.
Espaço para candidatura alternativa
Apesar disso, o governador sustenta que há espaço para uma candidatura alternativa em 2026. "Pesquisas que medem o humor do eleitor indicam um apetite por algo novo, ainda que a população não conheça esses nomes", afirmou. Para ele, a tendência de escolha entre Lula ou um nome ligado a Jair Bolsonaro se deve mais à familiaridade do eleitorado do que à convicção.
No PSD, Leite disse estar à disposição para liderar um projeto nacional de despolarização. Ele citou o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), como outro nome do partido e afirmou que a definição passará por diálogo interno com o presidente da legenda, Gilberto Kassab.
Senado e continuidade no Rio Grande do Sul
Questionado sobre o futuro político, Leite não descartou disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul, mas condicionou a decisão ao cenário nacional e à sucessão estadual. Segundo ele, a prioridade é garantir a continuidade do projeto político no estado, mencionando avanços na recuperação fiscal e na redução dos índices de criminalidade.
O governador também lembrou que, nas eleições de 2022, optou por não apoiar nem Lula nem Jair Bolsonaro. "A eleição precisa ser um voto de esperança e não um voto movido pelo ódio ou pela rejeição ao outro", disse.


