"Donald Trump jamais imaginou que o Irã faria o que está fazendo", diz João César de Castro Rocha
Professor afirma que Trump não esperava retaliação "verdadeiramente épica" do país após ofensiva estadunidense e israelense
247 - O professor João César de Castro Rocha comentou nas redes sociais a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, afirmando que "o feitiço já se virou contra o feiticeiro". As declarações foram feitas após um ataque coordenado de Washington e Tel Aviv contra alvos iranianos na madrugada de sábado (28), envolvendo agressões aéreas e marítimas, confirmadas por autoridades de ambos os países.
Segundo Rocha, o presidente estadunidense Donald Trump havia proposto um cessar-fogo, mas o Irã recusou e intensificou uma retaliação "verdadeiramente feroz", surpreendendo também o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que não estava em seu país durante os ataques. "Donald Trump jamais imaginou que o Irã faria o que está fazendo. Uma reação feroz, verdadeiramente épica, reproduzindo os termos de Donald Trump pelo avesso. As consequências, as piores possíveis", afirmou o especialista.
O professor destacou ainda que o Irã demonstrou capacidade militar significativa, diferente de outros países que haviam sido alvo de ataques limitados. "O feitiço se virou contra o feiticeiro. O Irã é a grande potência da região. É a única potência da região que tem condições de fazer o que está fazendo agora. Atacando alvos em Israel, atacando alvos na região do Oriente Médio, destruindo um radar de um bilhão de dólares dos Estados Unidos, afundando navios e aviões norte-americanos."
Riscos estratégicos e interesses pessoais de Trump
Rocha também apontou os riscos estratégicos e econômicos da retaliação: "Se o Estreito de Ormuz for fechado, a refinaria de petróleo destruída na Arábia Saudita era a principal refinaria do mundo, um dos esteios da circulação de petróleo no globo. Estados Unidos e Israel juntos podem destruir o Irã, mas ao mesmo tempo o Irã fará uma retaliação que destruirá completamente qualquer possibilidade de Trump e Netanyahu declararem vitória."
O especialista concluiu relacionando fatores políticos e interesses pessoais envolvidos: "A família de Donald Trump tem interesses imobiliários na região e este é um dos fatores deste ataque. Corrupção, falta de estratégia, cinismo, um imperialismo anacrônico."


