É um absurdo um presidente se referir a um ministro do STF como “companheiro”, diz Merval Pereira
Colunista critica fala de Lula sobre Alexandre de Moraes e aponta tentativa de distanciamento do governo da crise envolvendo o STF e o caso Master
247 - O jornalista Merval Pereira, do jornal O Globo, afirmou que é inadequado que o presidente da República trate um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) como “companheiro”, ao analisar declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Alexandre de Moraes em meio à crise envolvendo a Corte.
O jornalista interpreta que Lula tentou se afastar da controvérsia ao comentar a atuação de Moraes no contexto do chamado caso Master, que tem gerado críticas e repercussão negativa para o STF.
Segundo Merval Pereira, o uso do termo “companheiro” evidencia uma proximidade que não condiz com a relação institucional esperada entre o Executivo e o Judiciário. Para ele, a postura do presidente acaba levantando questionamentos sobre a separação entre os Poderes.
Ao abordar o tema, Lula também trouxe à tona uma discussão recorrente no noticiário: a participação de Alexandre de Moraes no julgamento do caso Master. De acordo com a análise, há uma percepção difundida de que o ministro não deveria atuar no processo, embora essa posição não seja compartilhada por ele.
O colunista avalia ainda que, apesar de os comentários de Lula poderem ser considerados pertinentes, a forma como foram apresentados publicamente soa como um aconselhamento pessoal. Nesse sentido, a manifestação do presidente é interpretada como uma tentativa de demonstrar distanciamento da crise e sinalizar cautela diante do desgaste envolvendo o STF.
O texto ressalta que o Supremo tem sido um aliado relevante do governo, especialmente diante de um Congresso com maioria de perfil conservador. No entanto, a avaliação negativa da Corte perante a opinião pública tende a impactar também a imagem do Executivo.
A repercussão do caso Master, segundo Merval Pereira, amplia esse cenário de desgaste. Ele observa que ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli enfrentam questionamentos sobre sua atuação no julgamento, em razão de vínculos anteriores com o banco envolvido.


