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Em discurso, Lula destaca papel da leitura e critica desinformação no Brasil

Presidente participou de cerimônia do Dia Mundial do Livro e premiou projetos de incentivo à leitura

Em discurso, Lula destaca papel da leitura e critica desinformação no Brasil (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (23), em Brasília, da cerimônia do Dia Mundial do Livro, onde destacou a importância da leitura como instrumento de transformação social e criticou a disseminação da desinformação no país. Durante o evento, também foi realizada a entrega do 9º Prêmio Vivaleitura, que reconhece iniciativas de incentivo à leitura em todo o Brasil.

A cerimônia ocorreu no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), reunindo autores, editores, educadores e representantes do setor cultural. Em discurso, Lula enfatizou a necessidade de ampliar o acesso aos livros e reforçou o papel do Estado na promoção da cultura.

Crítica à desinformação e defesa da leitura

Ao abordar o cenário nacional, o presidente afirmou que o país enfrenta desafios relacionados à informação e ao acesso à cultura. “Há uma parte da sociedade brasileira, sobretudo da chamada elite dirigente desse país, que rema para um lado para tentar deixar o povo na escuridão da desinformação e da ignorância”, declarou.

Lula destacou a importância dos escritores e produtores culturais nesse contexto. “Quando aparece gente como vocês, que ousam pensar, que ousam colocar no papel o pensamento de vocês e transformar coisas abstratas em história que mexe com a nossa emoção, a gente tem que, no mínimo, criar condições para que a engenhosidade de vocês seja conhecida por outras pessoas”, afirmou.

O presidente também ressaltou o papel da leitura na formação individual. “Ninguém gosta do que não conhece. Ninguém pode dizer que não gosta de uma comida que nunca comeu, de uma música que nunca ouviu, de um filme que nunca assistiu e de um livro que nunca leu”, disse.

Acesso à cultura como responsabilidade do Estado

Durante o discurso, Lula defendeu políticas públicas que garantam acesso amplo à leitura. Segundo ele, o objetivo não é direcionar escolhas individuais, mas criar oportunidades. “O nosso papel não é dizer qual o livro que a pessoa vai ler. [...] O nosso papel é criar condições para que toda, sem distinção, criatividade feita do ponto de vista cultural do ser humano possa chegar à mão de todos”, afirmou.

O presidente também abordou a questão econômica relacionada ao acesso ao livro. “Ninguém vai comprar um livro se não tiver dinheiro. Ninguém. Então nós temos que fazer as pessoas lerem, mesmo que não possam comprar um livro”, declarou, ao mencionar iniciativas voltadas à democratização da leitura.

Ele ainda ressaltou a importância de preservar o mercado editorial. “A gente não quer substituir, porque a gente quer valorizar todos aqueles que têm editoras que produzem livro e que querem vender os livros, que precisam ganhar dinheiro com o livro”, disse.

Educação como investimento

Lula aproveitou o evento para defender investimentos em educação, comparando custos do sistema educacional com o sistema prisional. “Esses meninos que estão estudando na Universidade Federal do ABC custam 20 mil reais por ano. [...] Sabe quanto custa um preso numa cadeia em São Paulo? 35 mil reais por ano”, afirmou.

Segundo o presidente, esses dados reforçam a importância de priorizar a formação educacional. “Isso só é argumento para a gente desmoralizar qualquer pessoa que diz que investir em educação é gasto. Investir em educação é exatamente investimento”, declarou.

Combate à violência contra a mulher

O presidente também abordou a necessidade de enfrentamento ao feminicídio, defendendo uma mobilização ampla da sociedade. “A luta é contra a violência contra a mulher, não é uma luta da mulher, é uma luta dos homens, que são eles os violentos”, afirmou.

Lula propôs que diferentes setores contribuam para a conscientização. “Um bispo quando começar a ler a missa dele, fale do feminicídio. Um pastor, quando estiver fazendo o seu culto, fale contra o feminicídio”, disse.

Valorização do livro e incentivo à leitura

Encerrando sua participação, o presidente reafirmou o compromisso do governo com o setor editorial e com o incentivo à leitura no país. “Estou preocupado em garantir que vocês continuem fazendo da livraria de vocês, das editoras, o meio de vida para gerar mais oportunidade para a gente produzir mais livro”, afirmou.

Lula também destacou o prazer da leitura como experiência transformadora. “Às vezes, quando a gente começa a ler a primeira página de um livro de 900 folhas, parece que ele será interminável. Mas na hora que você começa a gostar da segunda página, essas 900 páginas terminam numa brincadeira”, disse.

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