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Empresas ligadas à irmã de Vorcaro receberam R$ 1,2 bilhão do Banco Master

Investimentos foram feitos por meio de fundo e levantaram suspeitas devido aos valores elevados

Empresas ligadas à irmã de Vorcaro receberam R$ 1,2 bilhão do Banco Master (Foto: Divulgação )

247 - A prisão de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ocorrida nesta quarta-feira (14), voltou a colocar sob os holofotes os negócios envolvendo a família do controlador do Banco Master. O episódio ocorre em meio a investigações que analisam operações financeiras de grande volume realizadas pela instituição antes de sua liquidação extrajudicial.

De acordo com o Valor Econômico, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu, em agosto, uma investigação que identificou investimentos de R$ 1,2 bilhão feitos pelo Banco Master em empresas vinculadas a Natália Vorcaro, irmã do banqueiro e esposa de Zettel.

Prisão reacende atenção sobre negócios da família Vorcaro

As apurações indicam que os aportes foram realizados por meio da aquisição de notas comerciais emitidas pelas empresas, compradas pelo fundo Jade, posteriormente rebatizado de City 02. Esses títulos foram registrados pela Laqus Depositária de Valores Mobiliários, responsável pelo depósito e controle dos valores.

CVM identifica investimentos via notas comerciais

Entre as empresas que receberam recursos está a Clínica Mais Médicos, que obteve R$ 361 milhões em investimentos. Apesar do valor expressivo, a companhia opera em uma estrutura de pequeno porte localizada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, o que despertou questionamentos por parte dos investigadores.

A CVM levantou a suspeita de que as operações teriam sido estruturadas de forma fraudulenta, com o objetivo de permitir que os recursos retornassem à própria família Vorcaro.

Clínica Mais Médicos recebeu R$ 361 milhões

Na ocasião em que as informações vieram a público, o Banco Master afirmou apenas que os investimentos citados já haviam sido “integralmente quitados”, sem fornecer detalhes adicionais sobre as operações financeiras.

A Laqus, por sua vez, declarou que cumpre rigorosamente as exigências legais e regulatórias e que mantém cooperação permanente com a CVM e demais autoridades. Em nota, a depositária afirmou: “Procedimentos de supervisão e apuração são parte do funcionamento regular de um mercado saudável e não caracterizam, por si só, qualquer juízo de mérito sobre as infraestruturas citadas em matérias jornalísticas.”

Depositária estranhou voulumes movimentados

Fontes com conhecimento do assunto apontam que a auditoria da CVM só foi possível porque as notas comerciais estavam devidamente depositadas, conforme exige a legislação. A depositária atua como uma infraestrutura neutra, responsável pelo registro, depósito, controle e salvaguarda dos valores mobiliários, sem participação no desenho das operações ou na decisão dos investidores.

Ainda assim, segundo a reportagem, a Laqus demonstrou estranhamento diante do volume elevado de emissões feitas por empresas de pequeno porte e solicitou documentos ao Banco Master, que teriam sido apresentados.

Relações anteriores com negócios ligados ao Master

Embora os empreendimentos de Fabiano Zettel não tenham ligação direta com o Banco Master, ele já atuou em negócios relacionados a Daniel Vorcaro. Zettel foi diretor da Super Empreendimentos, empresa que adquiriu um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, conhecido como o “hub” de Vorcaro.

Natália Vorcaro também já integrou a diretoria de duas empresas citadas em outro processo da CVM, aberto em 2020, que investiga irregularidades em um fundo de investimento imobiliário fechado, o Brazil Realty. Ela fazia parte da administração da Milo e da MGI Desenvolvimento Imobiliário.

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