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Ex-auxiliar de prefeito de Manaus é citado em operação contra o Comando Vermelho

Depoimento aponta pagamento em dinheiro vivo por passagens e viagens. Prefeitura afirma que prefeito e vice não são investigados

Polícia Civil de São Paulo (Foto: Divulgação)

247 - Um empresário preso na operação da Polícia Civil do Amazonas que apura a atuação de um suposto núcleo político ligado ao Comando Vermelho (CV) afirmou, em depoimento, que a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), realizava pagamentos de passagens aéreas, hospedagens e aluguel de veículos em dinheiro vivo. O conteúdo do depoimento foi inicialmente revelado pela Rede Amazônica, afiliada da TV Globo no estado, e confirmado pela Folha de São Paulo

O empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, dono de uma empresa de turismo responsável pelas vendas, relatou que os bilhetes eram destinados ao prefeito, ao vice-prefeito Renato Júnior, a servidores municipais e a familiares do chefe do Executivo local.

Segundo trecho do depoimento, Alcir declarou que “Anabela comprava passagens para outras pessoas, como David Abisai Almeida (Prefeito de Manaus), e outras pessoas da gestão da prefeitura, [...] tal como ocorreu na famosa viagem de David ao Caribe” e que “o pagamento por essas passagens das citadas pessoas foi à vista, com dinheiro em espécie, sendo aproximadamente R$ 34 mil”.

Ele acrescentou ainda que “quando as passagens eram para pessoas da prefeitura de Manaus, os pagamentos eram em espécie, que não sabe a origem do dinheiro usado para pagamento das passagens; que não sabe dizer se o dinheiro usado para pagar as passagens de pessoas vinculadas à Prefeitura de Manaus tinha origem do tráfico de drogas ou do crime organizado”. Conforme o empresário, as cédulas utilizadas eram, em geral, de R$ 50 e R$ 100, “sendo que às vezes tinha notas de R$ 20”.

Alcir negou ter recebido cerca de R$ 1,3 milhão e afirmou desconhecer a origem do valor mencionado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) vinculado a Anabela Cardoso Freitas. Ele é investigado por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro, organização criminosa e tráfico de drogas.

A ex-chefe de gabinete, que também é investigadora concursada da Polícia Civil, é alvo de apuração após relatório do Coaf indicar que aproximadamente R$ 1,5 milhão teriam transitado em sua conta bancária. Segundo relatório policial, a movimentação seria incompatível com sua renda declarada. Do total, cerca de R$ 1,3 milhão teriam sido transferidos a um homem investigado por lavagem de dinheiro e tráfico.

Em nota, a Prefeitura de Manaus afirmou que o prefeito David Almeida e o vice-prefeito Renato Júnior, que também é titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), não são investigados na operação. O posicionamento diz: “Por não terem tido acesso aos autos, o prefeito David Almeida e o vice-prefeito Renato Junior não se manifestarão sobre declarações atribuídas a terceiros e reiteram a confiança nas instituições competentes e no regular curso do devido processo legal”.

O advogado de Anabela foi procurado na tarde de quinta-feira (26), mas não respondeu às mensagens enviadas. Já o advogado que atuava na defesa de Alcir informou ter deixado o caso.

A operação da Polícia Civil foi deflagrada na sexta-feira (20) e resultou na prisão de 14 pessoas sob suspeita de integrar o esquema — oito no Amazonas e seis em outros estados. Outras nove seguem foragidas, incluindo o apontado como líder do grupo.

As investigações tiveram início após a apreensão de mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas para transporte da droga, um veículo utilitário e aparelhos celulares. Um dos suspeitos foi preso em flagrante na ocasião.

Em um dos celulares apreendidos, investigadores encontraram contatos identificados com bandeiras vermelhas na agenda virtual, o que, segundo a Polícia Civil, indica possível ligação com o Comando Vermelho. De acordo com o delegado Marcelo Martins, há indícios de que o grupo pagava agentes públicos para obter informações sigilosas, como mandados de prisão e decisões judiciais sob segredo de Justiça.

“O objetivo do grupo era ter acesso e influência para resolver problemas internos da organização”, afirmou o delegado. Ele acrescentou que “isso ficou evidente após a extração de dados de um aparelho celular apreendido, no qual o líder afirmava ter pessoas em todos os órgãos e dizia não temer a prisão, pois pagava todos”.

Segundo a autoridade policial, empresas registradas no setor de logística teriam sido utilizadas para movimentar recursos e dar aparência de legalidade ao transporte de drogas. O depoimento de Alcir foi anexado a um pedido de habeas corpus preventivo apresentado pelo vice-prefeito Renato Júnior e familiares do prefeito no domingo (22), mas o requerimento foi retirado antes de ser analisado pela Justiça, conforme documento datado de quarta-feira (25).

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