"Factóide bolsonarista para desviar atenção do caso Master', diz Alckmin após EUA classificarem PCC e CV como terroristas
Vice-presidente afirma que medida dos EUA pode afetar a economia e o sistema financeiro brasileiro
247 - O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), criticou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo ele, a medida pode provocar impactos econômicos negativos para o Brasil sem representar avanços concretos no combate ao crime organizado e que aliados de Jair Bolsonaro (PL) estariam utilizando o tema para desviar a atenção de denúncias relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao comentar a repercussão da decisão estadunidense, o vice-presidente fez críticas ao entorno político de Bolsonaro e associou a mobilização em torno do tema a uma tentativa de mudar o foco do debate público. “O que eu lamento nesse episódio é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Então, para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides para desviar a atenção. Pensam mais em si do que no país, isso é ruim para o Brasil”, disse Alckmin durante coletiva de imprensa em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.
Impactos econômicos preocupam o governo
Alckmin afirmou que a classificação das facções como organizações terroristas pode trazer consequências para a economia brasileira, especialmente no sistema financeiro. “Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia, não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”, afirmou.
Na avaliação do vice-presidente, o enfrentamento ao crime organizado já é realizado pelas autoridades brasileiras por meio de operações permanentes e ações integradas entre órgãos de segurança.
Operação Fluxo Oculto foi citada como exemplo
Na entrevista, Alckmin destacou a Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal em um desdobramento da Operação Carbono Oculto, como uma demonstração da capacidade do Estado brasileiro de combater organizações criminosas em diferentes níveis. “A Operação Fluxo Oculto não pegou só quem estava ali na ponta, mas pegou toda a cadeia, envolvendo importadores, navios, refinarias. Então esse é um trabalho permanente”, disse.
O que muda com a classificação de PCC e CV nos EUA
A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos amplia os instrumentos legais disponíveis para ações contra integrantes e colaboradores das facções.
Entre as consequências previstas estão o bloqueio de ativos financeiros, restrições migratórias e a proibição de qualquer tipo de apoio material aos grupos classificados como terroristas. A legislação estadunidense também prevê sanções para pessoas físicas e jurídicas que realizem transações ou prestem serviços a essas organizações.
Além disso, a medida amplia o uso de recursos de inteligência e de instrumentos operacionais do governo dos EUA voltados ao combate de organizações enquadradas nessa categoria.
Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump antecedeu anúncio
O anúncio da nova classificação ocorreu poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrantes da cúpula do governo estadunidense.
Após o encontro, Flávio Bolsonaro afirmou que solicitou ao governo dos Estados Unidos que enquadrasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo comunicado oficial do Departamento de Estado, a classificação das duas facções entrará em vigor em 5 de junho.



