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Federalização do BRB entra no radar do mercado em meio a busca por socorro bilionário

Alternativa é considerada remota por interlocutores, mas ganha espaço em discussões sobre crise de liquidez e rombo potencial ligado ao Banco Master

Banco Regional de Brasília BRB (Foto: Divulgação)

247 - A possibilidade de federalização do BRB (Banco de Brasília) passou a circular nos bastidores do sistema financeiro como um eventual desfecho para a crise enfrentada pela instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. A hipótese, ainda distante do cenário defendido pelo GDF, começou a ser mencionada em conversas entre banqueiros e executivos como uma saída extrema caso outras alternativas não avancem.

Embora não esteja entre as soluções prioritárias, não está descartada a absorção do BRB por um banco público federal, como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal, a depender do agravamento da situação financeira e de eventuais medidas do Banco Central.

A discussão ocorre em um momento em que o BRB busca uma injeção de capital que pode chegar a R$ 6 bilhões, segundo interlocutores envolvidos nas tratativas. O valor final dependerá do que for identificado nas apurações internas e externas relacionadas às operações do banco com o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central.

Apesar de circular entre executivos do setor, a federalização encontra resistência política. Lideranças preferem que o BRB permaneça sob controle do governo do Distrito Federal. Ainda assim, uma fonte envolvida nas negociações afirma que, para o mercado bancário, a alternativa mais bem recebida seria a privatização.

Empréstimo com bancos e FGC lidera alternativas em negociação

Entre as opções mais discutidas para reforçar o caixa do BRB está a estruturação de um empréstimo dividido entre o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um consórcio formado pelos maiores bancos do país. O plano prevê que o governo do Distrito Federal tomaria o crédito para, em seguida, capitalizar o BRB.

Para viabilizar a operação, o GDF precisaria oferecer garantias e obter aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, já que o pacote envolve compromissos formais do Executivo local. A legislação distrital permite esse tipo de mecanismo.

Outra possibilidade mencionada por fontes próximas às negociações é a compra de letras financeiras subordinadas do BRB — títulos emitidos por bancos para reforçar o capital — por grandes instituições financeiras. Essa alternativa, porém, é vista como de difícil aceitação entre os principais bancos privados.

Uma oferta de aumento de capital, com emissão de novas ações para captar recursos, também chegou a ser considerada, mas enfrenta obstáculos por causa do abalo de credibilidade do BRB após a exposição das operações envolvendo o Banco Master.

Operações com Banco Master elevam desconfiança e ampliam risco de perdas

O mercado ainda tenta dimensionar o impacto das operações realizadas entre BRB e Master. Entre os pontos citados está a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro, o que reforçou dúvidas sobre o tamanho do prejuízo potencial.

Ainda não há clareza sobre o alcance total do dano causado por essas transações, o que contribui para o clima de incerteza e para a dificuldade de estruturar soluções definitivas.

Nesse contexto, dois dos principais bancos públicos federais — Banco do Brasil e Caixa — ainda não analisaram os ativos do BRB. Ambas as instituições não estariam autorizadas pela União a avaliar formalmente as possibilidades de apoio ao banco distrital.

BB e Caixa também não participaram, até o momento, da compra de carteiras de crédito do BRB, estratégia que bancos privados já adotaram como forma de injetar liquidez na instituição.

Federalização seria considerada apenas em cenário de intervenção do BC

Pessoas com conhecimento interno do BRB avaliam que a federalização é improvável nas condições atuais. Esse cenário só ganharia força se o banco fosse colocado sob algum tipo de regime especial pelo Banco Central — o que, até agora, não ocorreu.

Procurado, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), minimizou as especulações.

"A imprensa especula muito. Sobre o banco quem fala é o Nelson", escreveu Ibaneis, em referência ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.

Em nota, o BRB afirmou que qualquer cálculo sobre necessidade de capital dependerá do resultado das avaliações em andamento relacionadas aos ativos transferidos pelo Banco Master.

"Qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados" pelo Master.

O banco também informou que o processo integra tanto a apuração conduzida pelo Banco Central quanto uma investigação independente contratada pela própria instituição.

"Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas", afirmou.

A instituição declarou ainda que estuda alternativas como a venda das carteiras herdadas do Master, a criação de um fundo com imóveis do controlador, a contratação de empréstimo junto ao FGC ou consórcio de bancos e o aporte direto dos controladores.

"O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança de seus clientes, a manutenção da solidez e a continuidade de suas operações", concluiu o banco.

Com a crise ainda sem solução definitiva, o futuro do BRB permanece condicionado ao avanço das negociações financeiras e ao resultado das apurações sobre o impacto real das operações vinculadas ao Banco Master.

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