FGC apoiou compra de banco que deu origem ao Master em 2019
Empréstimo emergencial entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões ajudou a viabilizar operação após aval do Banco Central
247 - O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concedeu um empréstimo emergencial entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões ao Banco Máxima, em 2019, como parte da operação que possibilitou a mudança de controle da instituição e sua posterior transformação no Banco Master. A liberação dos recursos ocorreu no mesmo ano em que o Banco Central autorizou, após sucessivas tentativas, a conclusão do negócio que colocou Daniel Vorcaro no comando do banco.
A informação foi apurada pelo Valor Econômico, que detalhou os bastidores da operação envolvendo a compra do Máxima, então controlado por Saul Sabbá. O acordo entre Vorcaro e Sabbá havia sido firmado ainda em 2017, mas dependia do aval regulatório, que só foi concedido em 2019, depois que Vorcaro passou a contar com a assessoria jurídica de ex-integrantes do Banco Central e do próprio FGC.
Antes da conclusão da operação, a gestora Zion — da qual Vorcaro foi sócio por um período ao lado dos irmãos Antônio Augusto e Vicente Conte — chegou a deter uma opção de compra de 25% do Banco Máxima. Parte dos recursos usados por Vorcaro no acordo com Sabbá teve origem em cotas que ele possuía no fundo Care 11, voltado a investimentos em cemitérios e responsável pela aquisição do cemitério Terra Santa, em Belo Horizonte, anteriormente pertencente à família Vorcaro. O fundo segue sob gestão da Zion.
No decorrer das negociações, a Zion desistiu da opção de participação no capital do banco, e os irmãos Conte deixaram a operação por não aceitarem oferecer imóveis pessoais como garantia. O pedido inicial ao FGC era de cerca de R$ 100 milhões, mas, após as desistências e problemas envolvendo alguns dos imóveis apresentados como garantia pela família Vorcaro, o valor liberado acabou sendo reduzido a aproximadamente um quinto do montante solicitado.
O FGC não divulga detalhes sobre esse tipo de empréstimo emergencial e, devido ao volume relativamente reduzido da operação, os valores não aparecem de forma explícita nos balanços do fundo. Procurado, o FGC informou que não comenta casos envolvendo instituições associadas. Em nota, Daniel Vorcaro afirmou que não pode se manifestar em razão de cláusulas de confidencialidade previstas no contrato. Saul Sabbá não respondeu aos pedidos de comentário.
Uma fonte com conhecimento direto do assunto afirmou que o empréstimo foi quitado regularmente e ressaltou que o recurso não teve como objetivo financiar a aquisição do banco, mas sim prestar apoio a uma instituição em dificuldades, prática à qual outros bancos de menor porte já recorreram. Segundo essa fonte, o FGC não concede crédito com finalidade de compra, mas atua para preservar a estabilidade do sistema financeiro.
No ano passado, Sabbá firmou um acordo com o Ministério Público para não responder por gestão fraudulenta no Banco Máxima, crime pelo qual havia sido condenado no início de 2025. O acordo ainda aguarda homologação da Justiça Federal.
Anos depois da operação envolvendo o Máxima, os caminhos de Vorcaro e Antônio Augusto Conte voltaram a se cruzar. De acordo com relatos, Conte acreditava ter uma opção de compra do Banif, fruto de um acordo anterior com o banco. Quando o Banco Master adquiriu o Banif, em 2023, Conte tentou fazer valer esse suposto direito. Vorcaro teria contestado a validade jurídica do contrato, mas acabou pagando cerca de R$ 15 milhões a Conte, a título de indenização.


