Flávio Bolsonaro critica o SUS, mas ignora rejeição de vacina da Meningite B no governo do pai
Conitec já havia negado incorporação da vacina ao SUS durante gestão de Jair Bolsonaro
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nas redes sociais a decisão do Ministério da Saúde de não incorporar a vacina meningocócica B ao Sistema Único de Saúde (SUS). A publicação, no entanto, ignora que a mesma vacina já recebeu parecer desfavorável durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2019.
Na época, a análise técnica foi realizada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), órgão responsável por avaliar a inclusão de medicamentos e vacinas na rede pública com base em evidências científicas, impacto sanitário e custo-efetividade.
A decisão de 2019 tratava da oferta da vacina para pacientes com Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), doença rara que torna as células do sangue mais vulneráveis à ação do próprio sistema imunológico. Mesmo nesse grupo específico e mais suscetível à meningite B, a incorporação foi rejeitada.
Decisão atual aponta falta de oferta da vacina
O novo parecer da Conitec, divulgado recentemente, também foi desfavorável à incorporação da vacina meningocócica B no SUS. Segundo o Ministério da Saúde, a decisão não se baseia apenas em custos, mas na incapacidade de produção da fabricante para atender toda a demanda nacional.
De acordo com a pasta, a empresa não possui capacidade suficiente para fornecer doses para todas as crianças da faixa etária indicada. Isso deixaria cerca de 85% do público-alvo sem acesso ao imunizante, comprometendo a efetividade da política pública.
Gestão Bolsonaro foi marcada por queda vacinal
A crítica de Flávio Bolsonaro ocorre apesar do histórico do governo de Jair Bolsonaro em relação à vacinação. A gestão foi marcada por episódios de negacionismo e disseminação de desinformação sobre vacinas, especialmente durante a pandemia de Covid-19.
Durante aquele período, o Brasil registrou as menores coberturas vacinais da história recente. Em 2019, o país perdeu o certificado de eliminação do sarampo e voltou a enfrentar risco de reintrodução de doenças como a poliomielite.
Já no atual governo, o Ministério da Saúde destaca a retomada da cobertura vacinal infantil. Segundo a pasta, o Brasil registrou crescimento na aplicação das 16 vacinas do calendário infantil e recuperou, em 2024, o certificado de país livre do sarampo.
Governo Lula ampliou proteção contra meningite
O governo Lula também ampliou a proteção contra meningite no SUS. A vacina meningocócica ACWY passou a ser aplicada como reforço em crianças de 12 meses, enquanto a meningocócica C já integrava o calendário infantil para bebês de 3 e 5 meses.
Além disso, desde dezembro de 2025, o SUS passou a ofertar a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável por casos graves de bronquiolite em bebês.
Neste mês, durante a semana do Dia das Mães, o Ministério da Saúde informou que o Brasil alcançou a marca de 1 milhão de gestantes e bebês protegidos contra o VSR.


