HOME > Brasil

Flávio Bolsonaro pressiona por candidaturas do PL e ameaça alianças em estados-chave

Postura pode rachar alianças já costuradas em estados como São Paulo e Minas Gerais, entre outros

O senador Flávio Bolsonaro em Brasília - 7/12/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A família Bolsonaro deflagrou uma ofensiva interna para que o PL apresente candidaturas próprias ao governo em todos os estados, movimento que ameaça alianças já encaminhadas com outras legendas e redesenha o tabuleiro político para 2026. A estratégia é liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como presidenciável, e busca consolidar palanques exclusivos, sem compartilhamento com nomes da centro-direita, reforçando a identidade partidária e a associação direta ao número 22, segundo informa o jornal O Globo.

A diretriz tem impacto direto nos maiores colégios eleitorais do país, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de gerar tensões em outros estados relevantes. O plano também dialoga com a prioridade da família Bolsonaro em ampliar bancadas e fortalecer candidaturas ao Senado, considerada uma das frentes centrais do projeto político do grupo para o próximo ciclo eleitoral.

Em São Paulo, a orientação de Flávio cria constrangimentos ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já resistiu a pressões para migrar ao PL. Aliados avaliam que uma eventual filiação poderia empurrá-lo para um campo ideológico mais à direita do que pretende ocupar no estado, além de afastar apoios do centrão e abrir espaço para adversários ligados ao presidente Lula (PT) na disputa pelo Senado. O discurso para que o PL abandone Tarcísio e lance nome próprio já começou a circular, ainda de forma isolada, mas com potencial de ganhar força.

Em Minas Gerais, a nova postura também embaralha cenários. O vice-governador Mateus Simões (PSD), indicado por Romeu Zema (Novo) como sucessor, contava com o apoio do PL, que agora fica ameaçado. Outro nome afetado é o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas. Flávio Bolsonaro passou a ventilar a possibilidade de lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao governo mineiro, usando o peso do parlamentar no bolsonarismo digital como instrumento de pressão, ainda que a ideia não fizesse parte dos planos iniciais de Nikolas.

No Rio de Janeiro, berço político do bolsonarismo, a conjuntura é ainda mais complexa. O estado deve enfrentar uma eleição indireta antes do pleito de outubro, em razão da desincompatibilização do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado e da vacância simultânea na vice-governadoria. Com impedimentos na linha sucessória da Assembleia Legislativa, caberá ao presidente do Tribunal de Justiça assumir provisoriamente e convocar a eleição indireta. Nesse contexto, o PL vive uma disputa interna: Castro defende a escolha de um nome técnico, que não disputaria a eleição direta, enquanto Flávio Bolsonaro trabalha para emplacar um candidato competitivo, capaz de enfrentar o prefeito Eduardo Paes (PSD) e oferecer um palanque robusto.

A movimentação dos Bolsonaro também alcança outros estados. Na Bahia, a estratégia pode tensionar a relação do PL com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), enquanto o ex-ministro João Roma (PL) surge como principal nome da legenda para o Senado. No Espírito Santo, o diretório estadual recuou nas conversas com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e passou a considerar o lançamento do senador Magno Malta (PL) ao governo, em um gesto atribuído à influência direta de Flávio.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também entrou em cena de forma explícita. Em Santa Catarina, ela manifestou apoio público à deputada federal Caroline de Toni (PL), que disputa espaço para concorrer ao Senado na chapa do governador Jorginho Mello (PL). Em publicação nas redes sociais, Michelle escreveu: “Estaremos com você, Carol de Toni”. A deputada respondeu afirmando estar “sem palavras para agradecer o apoio incondicional” de Michelle, a quem descreveu como “líder nacional” e “mulher inspiradora”.

Caroline de Toni tem sinalizado a possibilidade de deixar o PL após ser preterida em negociações internas e recebeu convites de outras siglas, com tratativas mais avançadas com o Novo. O cenário, porém, esfriou depois da definição da chapa majoritária em Santa Catarina, considerada incompatível com mais um espaço para o partido. Dentro do PL, a deputada tem sido alvo de esforços para permanecer na legenda, inclusive com a atuação direta do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em meio a um quadro já congestionado de nomes da direita na disputa pelo Senado.

Artigos Relacionados