Governo avalia Flávio Bolsonaro consolidado para 2026 e prepara estratégia para ampliar distância
Planalto trata oscilação como margem de erro e vê terceira via perder força na disputa presidencial
247 - A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) consolidou, na avaliação de integrantes do governo federal e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um cenário eleitoral marcado pela polarização entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como o principal nome do campo bolsonarista para a disputa presidencial.Segundo
De acordo com o jornal O Globo, a redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, de sete para cinco pontos percentuais, não foi interpretada como sinal de alerta no Planalto, por ser considerada uma oscilação dentro da margem de erro do levantamento.
Planalto vê cenário consolidado e minimiza oscilação
Aliados do presidente avaliam que ainda é cedo para que medidas positivas do governo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e o programa Gás do Povo, tenham impacto direto nas intenções de voto. A leitura interna é de que os efeitos dessas ações devem aparecer apenas nos próximos meses.
No caso do Imposto de Renda, integrantes do governo apontam que a mudança começou a ser sentida recentemente, já que os descontos na fonte deixaram de ser aplicados apenas no mês passado, o que poderia retardar a percepção da população sobre a medida.
Lindbergh diz que não há espaço para terceira via
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que deixou a liderança do PT na Câmara neste mês, afirmou que os números reforçam o enfraquecimento de candidaturas alternativas e a consolidação de um confronto direto entre Lula e o campo bolsonarista.
“Vejo que não há espaço para candidatos de terceira via e que o nome do Tarcísio como candidato foi inviabilizado. Isso consolida a polarização entre Lula e o nome da família Bolsonaro. Não é ruim para o nosso campo político”, declarou.
Lindbergh também avaliou que o prazo de desincompatibilização, em 4 de abril, deve intensificar disputas internas e articulações políticas no Centrão.
“Cada vez mais, outros vão perceber que não existe espaço para a construção de um nome alternativo (à polarização). E, até 4 de abril (prazo para a desincompatibilização de quem ocupa cargo público e vai disputar as eleições), vão crescer as disputas internas e as tentativas no Centrão de explodir a candidatura de Flávio”, afirmou.
Ratinho Júnior aparece como melhor nome fora da polarização
A pesquisa Quaest apontou o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), como o nome com melhor desempenho entre os possíveis candidatos de terceira via. No cenário testado, ele aparece com 8%, enquanto Lula soma 35%, Flávio Bolsonaro registra 29% e Romeu Zema (Novo) tem 4%.
Apesar disso, um aliado do governo ouvido pela reportagem avalia como baixa a possibilidade de Ratinho disputar a Presidência, já que ele é visto como favorito para concorrer ao Senado pelo Paraná.
Governo espera impacto de medidas como isenção do IR
No Planalto, há expectativa de que a ampliação da isenção do Imposto de Renda possa influenciar a avaliação do governo ao longo do primeiro semestre. A percepção é de que, com a terceira via enfraquecida, Lula pode ter mais espaço para atrair alianças de setores do Centrão que não demonstram entusiasmo com uma candidatura liderada por Flávio Bolsonaro.
A avaliação interna também considera que um cenário mais polarizado tende a reduzir as alternativas eleitorais e reorganizar apoios partidários, especialmente entre legendas que costumam atuar de forma pragmática.
Disputa ideológica e campanha acirrada
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara e atual líder da maioria na Casa, afirmou que o levantamento indica favoritismo de Lula, mas reforçou que a eleição ainda será fortemente disputada.
“Haverá um alto componente de disputa ideológica nas eleições. Lula faz ótimo governo do ponto de vista de conquistas para as famílias, mesmo que a isenção do IR ainda não tenha surtido o efeito (nas eleições). Bolsonaro e a direita tentam o tempo todo atribuir valores que não são nossos. Vai ter debate, campanha e denúncia pela frente. O telhado de vidro de Flávio Bolsonaro é imenso e isso vai ser recuperado na campanha”, declarou.
Chinaglia também afirmou que este seria o momento adequado para o governo ampliar o arco de alianças partidárias, aproveitando o cenário considerado favorável.
Aposta em aproximação do Centrão com Lula
O deputado Jilmar Tatto (PT-SP), vice-líder do governo na Câmara, afirmou que o levantamento confirma o estreitamento do campo eleitoral e a perda de espaço de candidaturas de centro.
“A pesquisa Quaest mostra que o país está polarizado e não cabe para uma candidatura de centro”, afirmou.
Na avaliação do parlamentar, a tendência é que o presidente consiga ampliar apoios entre partidos do Centrão ou, ao menos, estimular neutralidade de setores que ainda observam o cenário.
“Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo) deixou de ser candidato e Ratinho Júnior provavelmente não disputar a presidência. A tendência é que o presidente Lula consiga atrair boa parte do Centrão para a candidatura dele ou para a a neutralidade na disputa”, declarou.
Tatto também afirmou que a campanha deve ser marcada mais por disputa política do que por entregas administrativas. “É importante ter entregas e o governo tem, mas não é mais o que define. A eleição será sobre posicionamento político e dialogar com a população”, concluiu.


