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Governo Lula comemora fracasso dos bolsonaristas após encontro com Donald Trump

Reunião entre Lula e o presidente dos Estados Unidos desmente previsões da oposição sobre o papel de Marco Rubio nas negociações do tarifaço

Os presidentes Lula (Brasil) e Donald Trump (EUA) apertam as mãos e sorriem após encontro produtivo em Kuala Lumpur, na Malásia (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou, nos bastidores, o que classificou como o “fracasso” das previsões feitas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A avaliação veio após o encontro presencial entre Lula e o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia, à margem da 47ª Cúpula de Líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

De acordo com a Coluna do Estadão, o clima entre os dois líderes foi positivo, contrariando as apostas bolsonaristas de que Rubio seria um obstáculo às negociações sobre o “tarifaço”. Um integrante do governo brasileiro, ouvido pela coluna, resumiu o sentimento de satisfação com uma frase direta: “Os fatos falam por si”.

Previsões frustradas e ironia nos bastidores

Após uma ligação telefônica entre Lula e Trump no início do mês, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) havia celebrado a escolha de Rubio como interlocutor americano, chamando a decisão de um “golaço”. Segundo o parlamentar, o perfil ideológico do secretário de Estado dificultaria as conversas com o Brasil.

Nos corredores de Brasília, porém, o tom foi de ironia. Membros do governo brincaram dizendo que o “filho Zero Três” do ex-presidente “só faz gol contra”, em referência ao otimismo infundado da oposição diante da nomeação de Rubio.

Relações diplomáticas e bastidores das negociações

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve desde o início uma postura confiante nas tratativas com o secretário de Estado norte-americano. Segundo o Estadão, Vieira e Rubio se reuniram ainda em julho, logo após o anúncio do tarifaço, em um encontro reservado na Casa Branca.

O governo apostava na boa relação entre os dois diplomatas para neutralizar as articulações de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde o começo do ano tentando promover sanções contra autoridades brasileiras.

Amorim minimiza riscos 

O ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, também havia minimizado qualquer risco de tensão. Em entrevista à Coluna do Estadão, ele afirmou: “Não preocupa”, explicando que Rubio “agiria de forma técnica e seguiria as orientações do chefe da Casa Branca”.

Essa avaliação se confirmou. Em 16 de outubro, Mauro Vieira e Marco Rubio voltaram a se reunir na Casa Branca, preparando o terreno para o encontro entre Lula e Trump.

Encontro em Kuala Lumpur marca avanço nas relações

Durante a reunião em Kuala Lumpur, tanto Lula quanto Donald Trump descreveram o diálogo como produtivo. “Tivemos uma boa reunião. Vamos ver o que acontece. Não sei se algo vai acontecer, mas vamos ver. Eles gostariam de fechar um acordo. Vamos ver, agora eles estão pagando acho que 50% de tarifa. Mas tivemos uma ótima reunião”, declarou o presidente dos Estados Unidos a jornalistas.

Com o clima amistoso entre os dois líderes, o governo brasileiro interpreta o episódio como um sinal de avanço nas negociações comerciais e de fortalecimento da relação bilateral. Ao mesmo tempo, vê o desfecho como a confirmação de que as previsões bolsonaristas sobre Marco Rubio não se sustentaram.

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