Governo vai ouvir países aliados sobre convite de Trump para Lula integrar Conselho de Gaza
Itamaraty avalia riscos diplomáticos de proposta dos Estados Unidos
247 - A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, realizada nesta segunda-feira (19), marcou o início de uma avaliação cautelosa do governo brasileiro sobre o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil participe de um eventual Conselho de Paz voltado à Faixa de Gaza. No Palácio do Planalto, o entendimento é de que a proposta envolve riscos diplomáticos e exige análise detalhada antes de qualquer posicionamento oficial.
Interlocutores ouvidos pela coluna do jornalista Iander Porcella, do SBT News, afirmaram que a conversa entre Lula e o chanceler não teve caráter conclusivo e representa apenas o primeiro passo de um processo decisório considerado complexo dentro do Itamaraty.
Reunião inicial marca começo da avaliação
De acordo com integrantes do governo, não há pressa para responder ao convite dos Estados Unidos. A avaliação interna é de que o tema ainda está em estágio preliminar e demanda mais informações sobre os objetivos e o formato do conselho idealizado por Trump, além das implicações políticas e diplomáticas para o Brasil.
Consultas internacionais entram na agenda do Itamaraty
Nos próximos dias, o Ministério das Relações Exteriores deve iniciar uma rodada de consultas a países considerados parceiros estratégicos, tanto na América do Sul quanto em outras regiões. A intenção é ouvir opiniões externas e medir o impacto internacional da eventual participação brasileira. Paralelamente, novas reuniões internas devem aprofundar o debate dentro do próprio governo.
Temor de risco diplomático e conselho fora da ONU
Um dos principais pontos de preocupação no Planalto é a possibilidade de o Brasil ser atraído para uma iniciativa com contornos indefinidos. Há dúvidas sobre a real intenção do presidente dos Estados Unidos ao propor o conselho, sobretudo porque a ideia pode resultar em um mecanismo fora da estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), instituição defendida historicamente pela diplomacia brasileira, mas frequentemente criticada por Trump.
O governo também busca esclarecer qual seria o papel do Brasil no grupo. A preocupação é evitar uma participação apenas decorativa, sem poder efetivo de decisão. Além disso, há receio de uma situação diplomática delicada, já que não existe, até o momento, previsão de representantes oficiais da Palestina no conselho. A própria proposta já foi alvo de críticas por parte de Israel.
Governo busca equilíbrio na relação com os EUA
Apesar das incertezas, o governo brasileiro tenta conduzir o tema com cautela para não gerar atritos desnecessários com Washington. O convite surge em um momento de reaproximação entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, após um período de tensões provocado pelo aumento de tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros.
Diante desse cenário, o Itamaraty trabalha para reunir mais elementos antes de qualquer decisão. A orientação no Planalto é preservar a coerência da política externa brasileira, baseada no multilateralismo, ao mesmo tempo em que se evita um desgaste diplomático com os Estados Unidos.


