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Haddad defende “autossaneamento” do STF

Ministro da Fazenda afirma que mecanismos internos são essenciais para preservar legitimidade das instituições e elogia condução de Edson Fachin

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fala durante reunião em Brasília-DF - 03/06/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Em meio às revelações sobre relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e personagens envolvidos no caso do Banco Master, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a Corte precisa adotar mecanismos internos de apuração para proteger sua credibilidade e garantir sua legitimidade institucional.

Em entrevista ao Metrópoles, Haddad defendeu o que classificou como um processo de “autossaneamento” por parte do Supremo, ressaltando que instituições responsáveis por fiscalizar e punir também devem dispor de procedimentos claros para lidar com questionamentos sobre sua atuação.

Segundo o ministro, a existência desses mecanismos é fundamental para a sustentabilidade das instituições. “Quando você está falando dessas instituições, que têm o dever de fiscalizar, de punir, tem que haver um procedimento interno de dar clareza ao que está acontecendo para a sua própria sustentabilidade e legitimidade. É assim que as instituições no mundo procedem. Quando há alguma ameaça de manchar a reputação de alguma instituição, ela tem que ter mecanismos internos de saneamento, seja quem for”, afirmou.

Haddad recorreu a exemplos de outras áreas do serviço público para sustentar seu argumento. “Quantos policiais, às vezes, são demitidos das corporações — militar, civil, auditor. Eu dava o exemplo da máfia do ISS: quantos auditores não foram presos? E tinha gente que dizia: ‘O Haddad vai acabar com a carreira’”, disse o ministro da Fazenda.

Na avaliação de Haddad, a iniciativa recente do Banco Central de instaurar um procedimento interno para apurar possíveis falhas na condução do caso Banco Master é um modelo que pode inspirar outras instituições. “O BC anunciou a abertura de um procedimento interno para verificar se houve alguma falha de procedimento em relação ao seu próprio corpo de servidores. É assim que uma instituição deve agir”, declarou.

O ministro também saiu em defesa do atual presidente do STF, Edson Fachin, a quem atribuiu a responsabilidade de conduzir o processo de forma equilibrada. “Nós não podemos temer o autossaneamento de uma instituição, em nenhuma hipótese. Eu acredito que a instituição está nas mãos de uma pessoa correta, que é o Fachin”, afirmou.

Apesar disso, Haddad ponderou que qualquer iniciativa nesse sentido deve respeitar os limites institucionais e o devido processo legal. Para ele, o autossaneamento precisa ser conduzido com cautela. “Esse processo de autosaneamento precisa ser feito com cuidado, para não sair dos trâmites da busca da Justiça, da verdade e da responsabilização, se for o caso”, disse.

Na sequência, o ministro reforçou sua confiança na condução do presidente do Supremo. “Eu acredito que o presidente Fachin está com o melhor ânimo para dar uma resposta a isso de maneira adequada. Não é só o Supremo. Isso tem que valer para todas as instituições”, afirmou.

Ao final da entrevista, Haddad avaliou que a reação do STF diante da crise pode fortalecer a própria Corte. “O STF pode sair grande se reagir com altivez”, concluiu o ministro da Fazenda.

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