Haddad: Lula garantiu a Vorcaro "decisão técnica" do Banco Central sobre o Master
“Foi o que ele disse: ‘olha, decisão sobre você é do Banco Central, técnica. Se bem, bem, se mal, mal’”, relatou o ministro da Fazenda
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que eventuais deliberações sobre a instituição financeira seriam de responsabilidade exclusiva do Banco Central e baseadas em critérios técnicos, sem qualquer interferência política. O relato foi feito pelo ministro ao comentar uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, que contou também com a presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Em entrevista ao Metrópoles, Haddad destacou que a postura do presidente foi a de respeito à autonomia da autoridade monetária. Segundo o ministro, Lula reforçou que decisões relacionadas ao Banco Master deveriam seguir exclusivamente parâmetros técnicos. “Olha, decisão sobre você é do Banco Central, técnica. Uma decisão técnica vai ser tomada. Se bem, bem, se mal, mal”, disse Lula a Vorcaro, segundo Haddad.
Haddad também descreveu o contexto em que o Banco Central passou a aprofundar a apuração sobre o caso. De acordo com ele, após assumir o comando da instituição, Gabriel Galípolo identificou a gravidade da situação e adotou os procedimentos formais previstos. “Tomou posse o Galípolo, viu que estava diante de um problema grave, abriu os procedimentos internos para apurar, constatou a fraude bilionária, tomou todas as medidas necessárias, interna e externamente, para uma decisão robusta, uma decisão sustentável perante qualquer tribunal. Esse é o certo”, declarou o ministro da Fazenda.
O chefe da área econômica ainda fez questão de afastar qualquer interpretação de irregularidade no fato de o presidente ter recebido o banqueiro. Segundo Haddad, no momento do encontro não havia elementos concretos que indicassem crime ou fraude, apenas rumores sobre dificuldades na condução do banco. “Tinha muito rumor de que as coisas não estavam andando bem. Era um disse-me-disse. O rumor existia desde 2024. Tinha problema, mas você não tinha indício de crime, de fraude. Parecia um negócio mal feito, que não ia dar certo”, explicou.
Segundo Haddad, o quadro se alterou apenas no início de 2025, quando surgiram informações mais consistentes que motivaram a intensificação da fiscalização e o envolvimento de outros órgãos. “Agora, quando começa no início de 2025, já há elementos concretos. O Galípolo estava muito preocupado, abrindo procedimentos internos para mergulhar na fiscalização. E aí houve um envolvimento quase que ato contínuo do Ministério Público”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de ter alertado Lula previamente para que não recebesse Vorcaro, Haddad disse que não tinha conhecimento da agenda presidencial e ressaltou que não mantém relação com o banqueiro. “Eu nem sabia que ele ia receber. Eu não conheço essa pessoa. Até outro dia, eu não sabia se ele ia estar nesse ambiente ou não”, declarou o ministro, reforçando que a atuação do governo seguiu os trâmites institucionais e respeitou a autonomia dos órgãos responsáveis.


