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Hugo Motta e Alcolumbre resistem a criar CPI do Banco Master

Resistência no comando do Congresso trava investigação exclusiva na Câmara e no Senado, enquanto pedidos de comissão mista avançam nos bastidores

Hugo Motta e Davi Alcolumbre (Foto: Mário Agra / Câmara | Marcos Oliveira/Agência Senado)

247 - O comando do Congresso Nacional atua para impedir, ao menos neste momento, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica para apurar o escândalo envolvendo o Banco Master. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou a líderes partidários que não há espaço regimental para a abertura imediata do colegiado, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também demonstra resistência em levar o tema adiante no Legislativo.

As informações foram publicadas originalmente pelo Estadão, que revelou os bastidores das articulações no Congresso e os argumentos utilizados pelas lideranças para adiar ou barrar a investigação parlamentar. Segundo o jornal, durante reunião com líderes, Motta sustentou que o regimento interno impede a criação da CPI neste momento, já que há outros requerimentos e comissões em andamento à frente na fila de prioridades.

De acordo com relatos de parlamentares presentes ao encontro, ficou claro que a CPI do Banco Master não será instalada pela Câmara. A posição fortaleceu a pressão sobre Davi Alcolumbre para que seja criada ao menos uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), reunindo deputados e senadores. Apesar disso, o presidente do Congresso sinalizou a aliados que deve avaliar o tema apenas após o recesso parlamentar, sem demonstrar disposição concreta para apoiar a abertura da investigação.

Procurados pela reportagem, Hugo Motta e Davi Alcolumbre não comentaram o assunto. Nos bastidores, parlamentares e técnicos do Legislativo avaliam que a CPMI enfrenta menos entraves regimentais, já que não depende de fila de requerimentos e pode ser criada com a simples leitura do pedido em sessão deliberativa do Congresso Nacional.

Enquanto a CPI específica segue travada, o caso deve ser incorporado a outras frentes de apuração. Conforme já havia sido revelado pelo Estadão, a CPI do Crime Organizado no Senado pretende incluir o Banco Master entre os temas investigados. Além disso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) criou um grupo paralelo para acompanhar o caso e apresentar requerimentos, embora sem poderes para quebra de sigilo ou convocações formais.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), declarou em entrevista à CNN que é contrário à instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e afirmou que, se depender de sua atuação política, não haverá a criação do colegiado. 

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