Euforia no mercado: Bolsa supera 170 mil pontos pela primeira vez
Movimento global de rotação de ativos favorece Bolsa, dólar cai e juros futuros recuam
247 - O mercado financeiro brasileiro vive um dia histórico nesta quarta-feira (21), com o Ibovespa superando, pela primeira vez, o patamar dos 170 mil pontos. O avanço foi sustentado por um forte fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, em meio à saída de recursos de ativos americanos, além de fatores políticos e geopolíticos que influenciaram a percepção de risco dos investidores.
Ao longo da tarde, o principal índice da Bolsa brasileira acelerou os ganhos e, por volta das 14h12, avançava 2,26%, aos 170.079 pontos. O desempenho consolida uma sequência de recordes observada nos últimos pregões e reflete a busca internacional por ativos reais, como commodities metálicas, em um cenário de maior cautela em relação à economia dos Estados Unidos.
Nos primeiros 21 dias do ano, o Ibovespa acumula alta superior a 5%, com valorização próxima de 3% apenas na última semana. A entrada consistente de recursos externos ganhou força com o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Europa, especialmente após declarações relacionadas à tentativa americana de aquisição da Groenlândia, o que intensificou a realocação de portfólios globais.
Ainda pela manhã, o índice já havia renovado máximas históricas. Às 11h10, subia 1,68%, aos 169.071 pontos, impulsionado também por uma pesquisa eleitoral que indicou redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. A leitura de menor incerteza política contribuiu para o apetite por risco no mercado local.
No exterior, os investidores acompanharam com atenção o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, previsto para a manhã desta quarta-feira (21). Em participação no evento, Trump afirmou que o país busca “negociações imediatas” para a aquisição da Groenlândia, declaração que ampliou as tensões diplomáticas e reforçou a aversão a ativos americanos nos últimos dias.
O movimento de realocação também teve reflexo no mercado de juros. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram ao longo de toda a curva. Por volta das 10h16, o DI para janeiro de 2027 caía para 13,78%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 recuava a 13,21%, devolvendo parte da alta observada na sessão anterior.
No mercado de câmbio, o dólar operou em queda frente ao real. Às 10h07, a moeda americana recuava 0,61%, cotada a R$ 5,34. No mesmo horário, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas globais, caía 0,18%, aos 98,46 pontos, refletindo o enfraquecimento da divisa americana no cenário internacional.
Na véspera, as bolsas de Nova York registraram quedas expressivas após novas ameaças tarifárias feitas por Donald Trump a países europeus. O índice VIX, conhecido como “índice do medo”, avançou 26%, atingindo o maior nível desde novembro. Para Krishna Guha, da Evercore, “este é novamente um movimento de ‘venda dos EUA’, dentro de um cenário muito mais amplo de aversão global ao risco”.
Mesmo diante da volatilidade externa, a Bolsa brasileira manteve trajetória positiva e desempenho descolado dos mercados centrais, consolidando-se como um dos principais destinos do capital internacional neste início de ano, em um ambiente de reavaliação dos riscos globais e busca por alternativas fora dos Estados Unidos.



