Inquérito da Abin Paralela completa um ano sem decisão da PGR
Moraes determinou há um ano que Gonet decidisse sobre denúncia contra indiciados pela PF
247 - A investigação sobre o caso conhecido como "Abin Paralela" completou um ano sem uma decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações da CNN Brasil, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mantém desde junho de 2025 o processo sob análise, sem definir se apresentará denúncia, solicitará novas diligências ou arquivará o caso.
A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito há exatamente um ano, apontando que 36 pessoas teriam cometido crimes relacionados ao uso ilegal de ferramentas de monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para acompanhar autoridades de forma clandestina.
Entre os indiciados estão o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e o atual diretor-geral da agência, Luiz Fernando Corrêa. Após o encerramento da investigação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes retirou o sigilo do processo e o encaminhou à PGR. Pela legislação, o procurador-geral teria 15 dias para decidir os próximos passos do caso.
O prazo estabelecido para a manifestação da PGR completou um ano nesta quarta-feira (17), sem definição. Servidores de carreira da Abin procuraram recentemente a Procuradoria em busca de informações sobre o andamento do processo, mas não receberam qualquer previsão para uma decisão.
Entidade critica demora
A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin manifestou preocupação com a demora na conclusão do caso e afirmou que a situação afeta o funcionamento da agência. Em nota, a entidade declarou: "O órgão continua arcando com a remuneração integral de servidores afastados, sem poder contar com sua força de trabalho, em um contexto já marcado por grave déficit de pessoal".
A associação também afirmou: "Ao mesmo tempo, gestores indiciados por obstrução de justiça seguem exercendo funções de comando e mantendo acesso a informações sensíveis de Estado, inclusive com potencial influência sobre servidores e dirigentes que atuaram como testemunhas nos procedimentos investigativos".
No documento, a entidade conclui: "Os acusados, a Abin e o próprio país merecem uma solução célere, definitiva e transparente para a questão, qualquer que seja seu desfecho".
Avaliação na PGR aponta robustez do relatório
Segundo a apuração, auxiliares de Paulo Gonet consideram que o relatório produzido pela Polícia Federal apresenta elementos consistentes e amplo conjunto de provas sobre o funcionamento do esquema investigado.
Integrantes da Procuradoria também avaliam que o posicionamento do procurador-geral sobre o caso já ficou evidenciado em fevereiro do ano passado, quando ele apresentou denúncia relacionada à investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.
Na ocasião, Gonet afirmou que estruturas de inteligência do Estado teriam sido utilizadas de forma irregular para promover ataques virtuais, disseminar desinformação contra adversários de Jair Bolsonaro (PL) e estimular tensões sociais.
Em manifestação apresentada ao STF, o procurador escreveu: "As ações ilícitas realizadas pela denominada 'Abin Paralela', de forma indubitável, consistem em atos executórios relevantes do plano de crimes contra as instituições democráticas".



