HOME > Brasil

PGR defende que STF rejeite revisão de condenação de Bolsonaro

Parecer de Paulo Gonet afirma que defesa não apresentou fato novo para rever condenação de 27 anos e 3 meses

O ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília-DF - 14/09/2025 (Foto: REUTERS/Mateus Bonomi)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A PGR (Procuradoria-Geral da República) defendeu nesta terça-feira (16) que o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeite o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão no caso da tentativa de golpe de Estado, sob o argumento de que os advogados não trouxeram fato novo capaz de reabrir a discussão.

A manifestação foi enviada após pedido do ministro Kassio Nunes Marques, que solicitou posicionamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre a solicitação da defesa. Caberá agora ao magistrado decidir se acolhe ou não o parecer da PGR.

No documento, a Procuradoria sustenta que a condenação de Bolsonaro foi baseada em análise detalhada dos fatos e das provas reunidas no processo. Segundo a PGR, o “aprofundado e exaustivo exame dos fatos e das evidências revelaram que Jair Bolsonaro desempenhou papel central na orquestração e na promoção de atos antidemocráticos”.

A manifestação também afirma que a “liderança sobre o movimento golpista” é um dos elementos que “provam a responsabilidade penal” do ex-presidente pela tentativa de subversão da ordem democrática.

“As ações de Jair Bolsonaro não se limitaram a uma postura passiva de resistência à derrota, mas configuraram uma articulação consciente para gerar um ambiente propício à violência e ao golpe”, ressaltou a PGR.

Gonet também rejeitou a tese de que a revisão criminal apresentada pela defesa teria elementos capazes de modificar a decisão já tomada pelo STF. Para o procurador-geral, a argumentação dos advogados não trouxe “nenhum ineditismo a legitimar a desconstrução do pronunciamento jurisdicional definitivo”.

“Não há razão relevante para relativizar a intangibilidade da coisa julgada formada. O título condenatório é hígido e está assentado em vigoroso conjunto probatório”, afirmou.

O recurso foi protocolado no início de maio e pedia a anulação da condenação imposta pela Primeira Turma do STF. A defesa de Bolsonaro sustentou que a revisão criminal deveria ser distribuída a ministros da Segunda Turma do Supremo, e não ao colegiado que julgou o caso originalmente.

Os advogados argumentaram que a redistribuição garantiria imparcialidade na análise do pedido, com julgamento final pelo plenário da Corte. Na revisão criminal, a defesa também questionou decisões do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.

Com o parecer da PGR, Nunes Marques deverá decidir os próximos passos do pedido de revisão, que busca reverter uma condenação já considerada definitiva no âmbito da Primeira Turma do Supremo.

Artigos Relacionados