Investigadores do caso Master consideram insustentável situação de Toffoli e alertam STF
Avaliação de investigadores aponta risco institucional, com apurações fora do Supremo e pressão crescente sobre a Corte
247 - Investigadores que acompanham o caso Master avaliam que a situação do ministro Dias Toffoli chegou a um ponto considerado insustentável e com tendência de agravamento. A leitura predominante é que não há um evento capaz de encerrar a crise de forma abrupta, mas sim uma sequência de desdobramentos que fogem, inclusive, ao controle do próprio relator.
O diagnóstico é de que o desgaste não se limita ao Supremo Tribunal Federal e pode avançar por vias externas ao tribunal.As informações foram divulgadas pelo blog da jornalista Andreia Sadi, no G1, a partir de relatos de investigadores ouvidos nos últimos dias. Segundo essas fontes, o problema é estrutural: há frentes de apuração que não estão sob a condução direta de Toffoli nem concentradas no STF. Em São Paulo, por exemplo, seguem em andamento investigações relacionadas a fundos e estruturas financeiras, capazes de produzir novos fatos a qualquer momento, independentemente de decisões tomadas no Supremo.
De acordo com esse entendimento, mesmo uma tentativa de “organizar” o caso dentro da Corte não seria suficiente para conter o desgaste. O risco, alertam investigadores, é que novas revelações surjam fora do alcance do relator e ampliem a crise. Esse alerta já foi levado diretamente à maioria dos ministros do STF, com a advertência de que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, convertendo um problema individual em uma ameaça institucional.
Ministros do Supremo estariam cientes da gravidade do cenário. Nos bastidores, a avaliação interna é descrita como dura e pragmática. Há integrantes da Corte que consideram o quadro complexo demais para que Toffoli permaneça à frente do processo e defendem uma solução considerada técnica: o envio do caso à primeira instância. Essa alternativa é vista como o “feijão com arroz” do ponto de vista jurídico, por não criar tese nova, ser defensável tecnicamente, retirar Toffoli do centro da controvérsia e reduzir a pressão direta sobre o STF.
A mesma avaliação reconhece que não se trata de uma saída honrosa, mas sim da opção menos traumática para a instituição. Ainda assim, ministros avaliam que a decisão depende do próprio Toffoli. A hipótese de um afastamento voluntário da condução do caso não é considerada factível, já que não haveria expectativa de concordância do ministro com essa alternativa.
Há também uma queixa interna no Supremo sobre a condução política da crise. Segundo relatos, não houve uma tentativa institucional coordenada de diálogo que buscasse construir uma saída antes que o impasse ganhasse dinâmica própria. Com isso, a crise extrapolou os limites jurídicos e antecipou a politização do tribunal.
Nos bastidores, a avaliação é de que o STF foi colocado “na linha de tiro da campanha”. O tribunal deixou de ser apenas alvo de setores da extrema direita e passou a integrar de forma mais ampla o radar eleitoral, tornando-se tema de disputa em um momento de elevada sensibilidade institucional.
O impasse central, segundo uma ala da Corte, permanece inalterado: manter o caso no Supremo concentra o desgaste no relator e amplia o risco de o tribunal ser percebido como juiz em causa própria. Com a possibilidade de surgirem novos fatos fora do controle do STF, cresce a avaliação de que a contenção pode se tornar inviável.
A leitura predominante entre investigadores e ministros é que prolongar a situação agrava o cenário e empurra o Supremo para o centro de uma crise política contínua. A crise envolvendo Dias Toffoli, afirmam essas fontes, não tem prazo definido para terminar, apenas a possibilidade — ainda em aberto — de ser contida antes de contaminar toda a Corte.


