Isenção do IR ainda não teve impacto na popularidade de Lula, dizem aliados
O governo avalia que é cedo para medir o impacto da nova política, que deve ter seus efeitos mais visíveis na economia nos próximos meses
247 - A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, uma das principais apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, ainda não produziu o efeito esperado sobre sua popularidade. Levantamentos recentes e projeções internas frustraram a expectativa de integrantes do entorno presidencial, que contavam com melhora mais consistente nos índices de intenção de voto. As informações são da Folha de São Paulo.
Colaboradores próximos ao presidente admitem, em conversas reservadas, que projetavam um cenário mais favorável a oito meses da eleição. A leitura predominante é que as medidas econômicas anunciadas pelo Planalto, apesar de seu apelo social, ainda não se converteram em vantagem eleitoral clara para Lula, que disputará novo mandato em outubro.
Desde fevereiro, trabalhadores formais passaram a receber os primeiros salários após a elevação da faixa de isenção do IR. A mudança zerou o desconto para quem recebe até R$ 5.000 mensais e reduziu a cobrança para rendas de até R$ 7.350. No núcleo político do governo, a expectativa era de que o alívio no orçamento impulsionasse a avaliação positiva do presidente.
Os números mais recentes, contudo, indicam cenário mais competitivo. Pesquisa Quaest divulgada em dezembro, 11 dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar sua pré-candidatura, mostrava Lula com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 36% do parlamentar — diferença de dez pontos percentuais. Na rodada mais recente, publicada há duas semanas, o presidente aparece com 43%, enquanto Flávio tem 38%, reduzindo a vantagem para cinco pontos.
O mesmo levantamento apontou desaprovação de 49% ao governo, ante 45% de aprovação. Além disso, monitoramentos internos realizados durante o Carnaval — pesquisas de acompanhamento mais rápidas, voltadas à identificação de tendências no debate público — teriam indicado maior desgaste para Lula e crescimento do adversário.
Parte do governo avalia que ainda é prematuro medir o impacto da nova política tributária. O argumento é que, no período entre o fim e o início do ano, há aumento de despesas para a classe média, como gastos com festas e impostos, o que pode retardar a percepção de ganho real na renda disponível. A expectativa é que os efeitos se tornem mais visíveis nos próximos meses.
Aliados também atribuem parte do cenário à redução do ritmo de publicidade institucional no final do ano passado, com previsão de retomada nos próximos meses. Outro fator citado é que, recentemente, o debate político perdeu espaço para eventos como o Carnaval.
Há, contudo, reconhecimento de que, em um ambiente polarizado, programas sociais e políticas de redução de desigualdades encontram resistência em segmentos mais alinhados ao bolsonarismo, que priorizam pautas de costumes. Nesse contexto, adversários exploraram o desfile em homenagem ao presidente na escola de samba Acadêmicos de Niterói.
Entre integrantes do governo, a avaliação é de que a eleição será disputada voto a voto. Lula é considerado favorito, mas sem margem confortável. Parte dos auxiliares do presidente admite a possibilidade de definição já no primeiro turno, em razão da tendência de polarização entre ele e o senador Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, a fragmentação de candidaturas alternativas poderia permitir que um dos dois ultrapasse a maioria dos votos válidos logo na primeira rodada, com o segundo colocado alcançando percentual próximo.


