Itamaraty critica saída de delegado da PF dos EUA, acusa falta de diálogo e reforça princípio da reciprocidade
Governo brasileiro reage à retirada de delegado da PF e suspende atuação de agente dos EUA
247 - O Ministério das Relações Exteriores criticou a forma como os Estados Unidos suspenderam a atuação do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho em território estadunidense. De acordo com o jornal O Globo, o Itamaraty apontou ausência de diálogo prévio, considerado essencial em relações diplomáticas entre países com histórico de cooperação. Em nota, a chancelaria brasileira ressaltou que a iniciativa estadunidense “não observa a boa prática diplomática de diálogo" entre "nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos".
Nesta quarta-feira (220, o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, afirmou ter suspendido as credenciais de um agente dos EUA que atuava em colaboração com a corporação.
Falta de diálogo e reação imediata
O episódio teve início após o governo dos Estados Unidos determinar a saída do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami junto ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Segundo o Itamaraty, a decisão foi comunicada verbalmente, sem qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de negociação.
Em nota oficial, o ministério destacou que a medida “não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, como prevê o parágrafo 7.3 do memorando de entendimento bilateral que regula essa modalidade de cooperação policial”.
Retirada de agente dos EUA no Brasil
Como resposta, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinou a retirada das credenciais diplomáticas de um agente estadunidense que atuava dentro de uma unidade da PF em Brasília. Com a decisão, o oficial perde acesso às instalações e às bases de dados compartilhadas entre os dois países. O Itamaraty informou que a decisão segue o princípio da reciprocidade, adotado em situações de desequilíbrio nas relações entre Estados.
Crítica à prática diplomática dos EUA
No comunicado, o governo brasileiro afirmou que a atitude dos Estados Unidos “tampouco observa a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação”.
O ministério também ressaltou que os termos da resposta brasileira “envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”.
O delegado brasileiro foi obrigado a deixar os EUA após o ex-deputado Alexandre Ramagem ter sido preso nos EUA no último dia 13 e posteriormente solto, no último dia 15. À época de sua prisão, a PF informou em nota que ela foi decorrente de cooperação policial internacional entre Brasil e EUA. Ramagem, que fugiu para os EUA, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.


