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Jaques Wagner é cobrado no Planalto após derrota de Jorge Messias no Senado

Líder do governo previu aprovação com até 45 votos, mas indicado de Lula ao STF recebeu apenas 34

Jaques Wagner (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

247 – A derrota de Jorge Messias no Senado abriu uma crise política no Palácio do Planalto e colocou o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), sob forte cobrança interna.

Segundo o jornal O Globo, alas do governo afirmam que Wagner terá de prestar contas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter apresentado um diagnóstico equivocado sobre a votação do indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Messias recebeu apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que o mínimo necessário para sua aprovação. Foram 42 votos contrários. A indicação precisava de ao menos 41 votos no plenário do Senado.

Nos bastidores, críticos à atuação de Jaques Wagner afirmam que o senador não teria atuado de forma efetiva em favor de Messias e, além disso, teria tranquilizado Lula com previsões consideradas excessivamente otimistas.

Às 13h15, Wagner chegou a projetar que Messias seria aprovado com 45 votos. Na Secretaria de Relações Institucionais, a avaliação era mais cautelosa, mas ainda apontava a possibilidade de aprovação com 42 votos.

Ao longo da tarde, porém, o clima mudou. Lula chamou Wagner ao Palácio da Alvorada, durante agenda com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), para tratar da situação da indicação. Ao retornar ao Senado, o líder do governo passou a prever um placar mais apertado, de 41 votos, exatamente o limite necessário para a aprovação.

A votação final revelou um cenário muito pior para o Planalto.

A derrota ocorreu em meio a suspeitas, entre aliados do governo, de uma articulação conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), contra a indicação de Messias. Quatro senadores ouvidos pelo jornal O Globo, sob reserva, relataram que Alcolumbre teria procurado parlamentares de centro, oposição e indecisos para pedir votos contrários ao indicado.

A assessoria de Alcolumbre negou veementemente que ele tenha pedido votos contra Jorge Messias.

Dentro do governo, a avaliação é de que o Planalto foi surpreendido por uma movimentação de bastidores que não foi detectada a tempo pela articulação política. Setores mais pragmáticos da gestão já previam, durante a tarde, que Messias poderia alcançar apenas 39 votos, número insuficiente para a aprovação.

A crise ampliou o desgaste entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Em reservado, auxiliares passaram a defender a substituição de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, em um ambiente de tensionamento considerado inédito nesta fase do governo Lula.

A rejeição de Messias representa uma das derrotas mais duras sofridas pelo Planalto no Senado e expõe falhas na contagem de votos, na articulação política e na capacidade de reação do governo diante de uma ofensiva parlamentar de última hora.

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