HOME > Brasil

Judeus de esquerda condenam projeto de Tabata Amaral que censura críticas ao sionismo

A Articulação Judaica de Esquerda condenou o projeto da deputada

Tabata Amaral (Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)

247 - A Articulação Judaica de Esquerda afirmou nesta quinta-feira que o projeto de lei defendido pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) representa uma ameaça à liberdade de expressão ao equiparar críticas ao sionismo e ao Estado de Israel a manifestações de ódio.

“Tabata Amaral não só dobrou a aposta no seu projeto para prender críticos de Israel como radicalizou ainda mais, e agora diz que as críticas também são expressão de ódio e criminosas”, afirmou o grupo em suas redes sociais.

Durante sua agenda internacional, Tabata Amaral buscou diferenciar a proteção à comunidade judaica de críticas ao governo israelense. A deputada classificou a gestão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu como “criminosa” e defendeu que abusos cometidos na guerra sejam denunciados.

Ainda assim, o projeto tem sido alvo de críticas. Um dos principais pontos de tensão está na possibilidade de enquadrar como antissemitas comparações entre políticas de Israel e o nazismo, o que, para críticos, pode restringir o debate político.

A deputada relatou ataques recebidos após a apresentação da proposta e afirmou que há uma confusão no debate público. “De fato, existe o antissemitismo no Brasil. De fato, existe um ódio arraigado que está localizado em uma parte da esquerda”, disse, sem citar nomes.

O projeto foi elaborado com apoio de parlamentares de diferentes partidos, incluindo Kim Kataguiri (Missão-SP), Paulinho da Força (Solidariedade-SP), Otoni de Paula (MDB-RJ), Gilvan da Federal (PL-ES) e Heloísa Helena (Rede-RJ). Apesar disso, houve recuo de parte dos apoiadores: deputados, especialmente do PT, pediram a retirada de suas assinaturas, entre eles Heloísa Helena, Reginaldo Veras (PV-DF), Welter (PT-PR), Vander Loubet (PT-MS), Alexandre Lindenmeyer (PT-RS), Luiz Couto (PT-PB), Ana Paula Lima (PT-SC) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Críticas também vieram de parlamentares nas redes sociais. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) classificou a proposta como “um grande absurdo” e afirmou que a iniciativa busca “tornar crime críticas ao Estado de Israel, chamando elas de antissemitismo”.

 

Artigos Relacionados