Kassab detalha projeto de candidatura presidencial do PSD e descarta ataques a Lula
Presidente do partido articula candidatura própria com três governadores e mantém ambiguidade ao integrar governo petista
247 - O presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou que a candidatura presidencial que o partido pretende lançar em abril não terá como objetivo atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de a sigla integrar o governo federal e, ao mesmo tempo, organizar um projeto próprio para a disputa de 2026. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.
Segundo Kassab, o PSD pretende apresentar um nome competitivo ao Palácio do Planalto a partir de uma articulação que reúne três governadores da legenda: Ronaldo Caiado, recém-filiado ao partido após deixar o União Brasil, Eduardo Leite e Ratinho Jr. A definição do presidenciável dependerá de pesquisas e de outros fatores políticos. A movimentação foi interpretada como um fator de isolamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no campo da direita.
Candidatura própria
Kassab afirmou que a iniciativa é distinta de tentativas anteriores do partido. "Nessa é diferente", disse, ao sustentar que, desta vez, o PSD não busca um candidato externo, mas conta com três governadores interessados na disputa. Ele declarou que o projeto não nasce contra Lula, mas com a intenção de apresentar uma alternativa que classifica como moderada.
O dirigente também sinalizou que não exigirá a saída dos ministros do PSD do governo federal durante a campanha. Atualmente, a sigla comanda três pastas na Esplanada. Kassab afirmou que a permanência ou não dos ministros será uma decisão individual e negou que haja oportunismo na posição do partido.
Relação com o bolsonarismo
Kassab reconheceu que, na sua visão, a candidatura de Flávio Bolsonaro é competitiva e estimou que o senador aparece com cerca de 20% das intenções de voto. Segundo ele, mantendo-se a divisão no primeiro turno, o eleitorado de uma eventual candidatura do PSD e o do bolsonarismo tenderiam a se unir no segundo turno contra Lula.
Ao comentar o desgaste do bolsonarismo, Kassab disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém peso eleitoral, citando o desempenho de Flávio nas pesquisas. Ele também afirmou que considera legítimo o reconhecimento de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) a Bolsonaro, lembrando que o atual governador de São Paulo foi ministro em seu governo.
Tarcísio como exceção ao projeto
O presidente do PSD afirmou ainda que apenas uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio inviabilizaria o projeto do partido. Nesse cenário, disse que a sigla se unificaria em torno do governador paulista.
Kassab projetou crescimento do partido nas eleições de outubro, citando a vitória de quase 900 prefeitos em 2024 e a expectativa de ampliar bancadas estaduais e federais. Ele afirmou acreditar que o PSD pode lançar de seis a dez candidaturas viáveis a governador e aumentar sua bancada na Câmara dos Deputados de 47 para até 80 parlamentares.
Críticas ao governo e propostas
Questionado sobre a relação do partido com o governo Lula durante a campanha, Kassab afirmou que o PSD não teve candidato presidencial em 2022 e que a presença de quadros da legenda no governo decorre de alianças regionais, não de indicações partidárias.
Embora evite um discurso frontalmente oposicionista, Kassab afirmou que haverá críticas ao governo Lula durante a campanha. Segundo ele, uma eventual campanha do PSD defenderá a redução do tamanho do Estado, o combate à corrupção, uma reforma administrativa e maior transparência.
O pessedista também mencionou propostas como voto distrital misto, maior controle sobre emendas parlamentares, despolitização das agências reguladoras e debate sobre reeleição e mandatos em tribunais superiores.


