Lula busca reaproximação com Alcolumbre
Presidente envia ministros para restabelecer pontes com o presidente do Senado
247 - O presidente Lula orientou auxiliares a retomar o diálogo com Davi Alcolumbre, presidente do Senado.
A movimentação ocorre após uma semana difícil para o Palácio do Planalto no Congresso. A indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal foi rejeitada pelo Senado por 34 votos a 42, em uma derrota para o governo. Além disso, parlamentares derrubaram o veto de Lula à lei de redução de penas para condenados por golpismo.
Reportagem da Folha de S.Paulo aponta que o primeiro gesto do governo em direção a Alcolumbre após a rejeição de Messias ocorreu por meio de encontros do presidente do Senado com dois ministros. Na terça-feira (5), Alcolumbre recebeu o ministro da Defesa, José Mucio. Na quarta-feira (6), foi a vez do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, se reunir com o chefe do Senado.
As conversas aconteceram na residência oficial da Presidência do Senado. Segundo interlocutores de Lula, a orientação do presidente foi a de deixar o episódio no passado e “seguir a vida”, apesar do mal-estar provocado pela atuação de Alcolumbre durante a votação da indicação ao STF.
O presidente do Senado ficou contrariado com a escolha de Jorge Messias para a vaga no Supremo. Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o cargo. Embora negue publicamente ter atuado contra o governo, o chefe do Senado foi peça central na articulação que impediu o Planalto de alcançar os 41 votos necessários para aprovar o indicado.
Alcolumbre sinaliza disposição para encontro com Lula
Relatos sobre a reunião entre José Mucio e Davi Alcolumbre indicam que a conversa preliminar foi cordial. O objetivo do ministro da Defesa era avaliar o ambiente político e medir o humor do presidente do Senado em relação ao governo.
A sinalização de Alcolumbre foi a de que ele está disponível para uma reunião com Lula. O senador também afirmou a Mucio que este não seria o momento adequado para o presidente fazer uma nova indicação ao STF. Na avaliação do presidente do Senado, seria necessário antes reduzir a tensão com o Congresso.
Segundo a Folha, Alcolumbre entende que a nova indicação ao Supremo deveria ficar apenas para 2027. Antes de se encontrar com o senador, Mucio havia informado a Lula que trataria com ele de recursos para a Defesa. O presidente, por sua vez, reforçou que a derrota da semana anterior deveria ser superada e que o governo precisava seguir adiante.
Pacheco entra no cálculo político
Durante a conversa, Mucio também buscou avaliar a situação de Rodrigo Pacheco. O ministro perguntou a Alcolumbre se havia algum desconforto do aliado em relação ao governo. De acordo com relatos, ouviu como resposta que, se depender do presidente do Senado, Pacheco não disputará o governo de Minas Gerais, como vinha sendo planejado pelo PT.
Pacheco afirmou a jornalistas, na terça-feira (5), que decidirá até o fim de maio se será candidato ao governo mineiro. Ele aguarda, porém, segurança em relação ao apoio do PT e de Lula antes de oficializar uma eventual entrada na disputa.
Planalto comemora conversa com Guimarães
A reunião entre José Guimarães e Davi Alcolumbre também foi descrita como amistosa. O objetivo do governo era demonstrar que os canais entre Executivo e Senado não haviam sido rompidos, mesmo após as derrotas impostas ao Planalto.
O resultado foi bem recebido no Palácio do Planalto. A aliados, Alcolumbre também afirmou que mantinha as portas abertas para o governo Lula, em um sinal de que a crise política ainda pode ser administrada.
O presidente do Senado admitiu ter feito um gesto de aproximação com a oposição bolsonarista ao impor derrotas ao governo, mas negou ter se aliado definitivamente a Flávio Bolsonaro.
Governo avalia que rompimento não é viável
Apesar da avaliação de que Alcolumbre atuou contra os interesses do governo na votação de Jorge Messias, uma ala do Executivo considera que uma ruptura com o presidente do Senado não seria viável neste momento.
O cálculo do Planalto leva em conta a necessidade de aprovar projetos no Congresso antes da eleição. Entre as propostas citadas está o fim da escala seis por um, tema que ainda depende de articulação parlamentar.
A tentativa de reaproximação com Alcolumbre, portanto, busca reduzir danos após a derrota no STF e preservar condições mínimas de negociação no Senado em meio a uma agenda legislativa considerada relevante pelo governo.


