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‘Não tenho que esperar nada do governo’, diz Alcolumbre

Declaração do presidente do Senado expõe tensão com o Executivo após a Casa rejeitar a indicação de Jorge Messias para vaga no STF

Davi Alcolumbre (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

247 - A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) aprofundou a crise política entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Senado Federal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta quarta-feira (6) que não espera qualquer gesto do Palácio do Planalto após a derrota do advogado-geral da União no plenário. As informações são do jornal O Globo

Alcolumbre endurece discurso após derrota

Questionado sobre o que espera do governo depois da votação que rejeitou Jorge Messias para o STF, Alcolumbre respondeu de forma direta: “eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada.”

Na sequência, o presidente do Senado voltou a repetir a frase ao ser perguntado se acredita em uma nova indicação de Lula ao Supremo ainda neste ano. “Não tenho que esperar nada”, afirmou. 

A declaração foi interpretada nos bastidores de Brasília como um recado claro ao Palácio do Planalto em meio às tentativas do governo de reconstruir a relação com o Senado.

Governo tenta reduzir desgaste com Senado

Após a derrota de Jorge Messias, integrantes do governo passaram a atuar para diminuir o desgaste político com Alcolumbre. Ministros como José Múcio, da Defesa, e José Guimarães, líder do governo na Câmara, se reuniram com o presidente do Senado nos últimos dias.

Messias, considerado um dos auxiliares mais próximos de Lula, teve sua indicação rejeitada após meses de desgaste político, adiamentos e intensas articulações nos bastidores do Congresso. No governo, a derrota foi vista como uma demonstração de força de Alcolumbre e ampliou o mal-estar entre o senador e o Palácio do Planalto.

Crise começou antes da indicação ao STF

Segundo aliados do presidente Lula, Alcolumbre teve papel decisivo na articulação que levou à rejeição de Jorge Messias. Senadores afirmam que o presidente da Casa não atuou pela aprovação do nome e teria trabalhado contra a indicação junto a parlamentares de MDB, PSD, União Brasil e PP.

A tensão entre Lula e Alcolumbre, porém, já vinha crescendo desde o ano passado. O principal ponto de desgaste ocorreu quando Lula decidiu indicar Jorge Messias ao STF sem consultar previamente o presidente do Senado.Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal.

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