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Lula e Alcolumbre se reaproximam e Congresso busca reduzir tensões com governo

Indicação de Messias ao STF e o fim da escala 6x1 devem avançar no Congresso nas próximas semanas

Brasília (DF) - 28/08/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - A reaproximação entre Lula e Alcolumbre indica um movimento para conter conflitos institucionais e reduzir tensões entre Executivo, Legislativo e STF em um cenário político marcado por disputas recentes. O gesto do presidente do Senado de destravar pautas relevantes é interpretado como parte de um esforço para melhorar o diálogo com o governo federal. As informações são da Folha de São Paulo.

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional apresentou sinais de distensão nos últimos dias, especialmente após iniciativas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que indicam uma tentativa de reconstrução política entre os Poderes.

O distanciamento entre Lula e Alcolumbre havia se intensificado após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar do anúncio ter sido feito meses antes, o envio formal da indicação ocorreu apenas no início de abril, gerando receios de que o processo pudesse ser retardado no Senado. Contrariando essa expectativa, Alcolumbre deu andamento à tramitação e marcou a sabatina para o dia 28.

No mesmo movimento, o senador também pautou para o dia 30 de abril a análise de um veto presidencial relacionado à redução de penas de condenados por atos ligados à tentativa de ruptura institucional. A decisão foi interpretada como um gesto de equilíbrio político, ao atender demandas de diferentes grupos dentro do Congresso.

A aproximação entre os dois líderes ficou evidente em um evento recente no Palácio do Planalto, durante a posse do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Na ocasião, Lula e Alcolumbre trocaram conversas reservadas, e o senador destacou em discurso a importância do diálogo e da construção conjunta de políticas públicas. Ele também fez elogios à então ministra Gleisi Hoffmann, responsável até então pela articulação política do governo.

Interlocutores apontam que a falta de comunicação direta foi um dos principais fatores para o desgaste na relação entre Lula e o presidente do Senado. Nos últimos meses, no entanto, houve retomada de contatos telefônicos e reaproximação gradual, inclusive com aliados próximos, como o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Nos bastidores, parlamentares avaliam que Alcolumbre deixou de atuar contra a indicação de Jorge Messias ao STF, embora não esteja diretamente engajado na articulação para sua aprovação. O advogado-geral da União precisa de ao menos 41 votos para ser confirmado na Corte.

Outro ponto de convergência entre o Senado e o governo envolve a condução de comissões parlamentares de inquérito (CPIs). Tanto o Planalto quanto Alcolumbre demonstraram interesse em conter a escalada de crises políticas em um ano eleitoral. O senador rejeitou a prorrogação de CPIs em andamento e evitou a criação de novas investigações.

Um episódio recente ilustra essa articulação: a mudança na composição da CPI do Crime Organizado resultou na rejeição de um relatório que previa o indiciamento de ministros do STF, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A decisão evitou um agravamento das tensões entre os Poderes, embora tenha gerado reação de grupos de oposição no Senado.

Na Câmara dos Deputados, o ambiente de maior proximidade com o governo já vinha sendo construído desde o fim de 2025, quando Lula nomeou um aliado do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para o Ministério do Turismo. Desde então, Motta tem atuado para equilibrar interesses e administrar divergências em pautas sensíveis, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e a revisão de jornadas de trabalho.

Sob sua liderança, a Câmara aprovou propostas importantes para o governo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, além de barrar iniciativas consideradas desfavoráveis ao STF. O presidente da Casa também manteve acordos políticos com o PT, consolidando sua posição interna e evitando derrotas em disputas estratégicas.

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