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Lula articula jantar para viabilizar apoio a Messias para o STF

Encontro busca consolidar votos antes da sabatina no Senado marcada para 28 de abril

Jorge Messias (Foto: Victor Piemonte/STF)

247 - A menos de duas semanas da sabatina de Jorge Messias no Senado, o governo federal intensificou a articulação política e planeja um jantar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e parlamentares com o objetivo de garantir apoio à indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia surge diante da redução das atividades em Brasília durante o feriado de Tiradentes, o que limita o contato direto com senadores, relata o jornal O Globo.

A iniciativa busca concentrar as negociações em um único encontro, reunindo especialmente senadores indecisos em um ambiente considerado mais propício ao diálogo político. O governo avalia que o calendário reduzido dificulta a mobilização presencial e pode afetar o ritmo das articulações justamente na fase decisiva que antecede a sabatina, marcada para o dia 28 de abril.

Nos bastidores, aliados reconhecem que, apesar de avanços no apoio ao nome de Messias, ainda há um número significativo de parlamentares que evitam declarar voto publicamente. Esse cenário mantém a indefinição e aumenta a importância de estratégias capazes de consolidar posições antes da votação.

A proposta do jantar já vinha sendo discutida no Palácio do Planalto. Inicialmente, havia a intenção de realizar o encontro ainda nesta semana, mas compromissos na agenda de Alcolumbre impediram o avanço imediato da ideia. A articulação voltou a ser debatida durante a cerimônia de posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), quando Lula e o presidente do Senado alinharam a estratégia.

Paralelamente, Jorge Messias intensificou sua agenda no Senado, ampliando o diálogo com parlamentares de diferentes partidos. Em uma ofensiva recente, ele participou de reuniões com o relator da indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), além de encontros com senadores da base governista e também da oposição, incluindo Leila Barros (PDT-DF), Jaques Wagner (PT-BA), Romário (PSB-RJ), Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e Carlos Portinho (PL-RJ).

A estratégia inclui conversar até mesmo com parlamentares que já manifestaram posição contrária, numa tentativa de identificar possíveis mudanças de voto. Aliados avaliam que o caráter secreto da votação pode abrir espaço para dissidências e decisões diferentes das declarações públicas.

Outro fator relevante na articulação é a atuação de ministros do STF considerados próximos à indicação. Senadores favoráveis ao nome de Messias têm antecipado apoio em conversas com integrantes da Corte, como Cristiano Zanin, André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Esses contatos são interpretados como forma de reforçar a viabilidade da indicação e influenciar parlamentares ainda indecisos.

Diante desse cenário, o jantar político surge como uma tentativa de centralizar esforços e acelerar negociações em um momento crucial, marcado pela proximidade da sabatina e pela necessidade de consolidar votos suficientes para a aprovação no Senado.

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