Lula “paga o preço” por casos de corrupção no país, diz Edinho Silva
Apesar de não envolverem o presidente Lula, casos Master e INSS afetam a popularidade do governo, avalia o dirigente do PT
247 - O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou no domingo (12) em entrevista ao Canal Livre, da Band, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “paga o preço” pelos carros de corrupção no Brasil com a queda na sua popularidade. Segundo Edinho, apesar do presidente não ter envolvimento com os casos e prezar pelo fortalecimento das investigações, a sociedade pensa que o governo é o responsável pela corrupção no país.
"Em dezembro, a popularidade do presidente estava em franca recuperação. O que aconteceu de lá para cá? A avalanche de denúncias de corrupção que o país tem vivenciado. Por mais que ele esteja pedindo para apurar todas as denúncias, se tem corrupção, é o governo que é responsável, é assim que a sociedade pensa", disse.
Segundo ele, Lula estaria “pagando o preço” por esse contexto político adverso. O dirigente também destacou que a forma como a população consome informação influencia essa percepção. "A gente pensa que a sociedade está vivenciando a política como nós vivenciamos. Evidente que não. Eles se informam 'rodando o dedo' no celular, lendo o que é ou não manchete, o que um influenciador fala. Nós temos que comunicar, falar, fazer com que a verdade prevaleça" , disse.
Entre os episódios que ampliaram o desgaste, está o suposto envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, nas investigações relacionadas ao INSS. Apesar de ter sido alvo de pedidos de quebra de sigilo bancário, o relatório final da comissão parlamentar que analisou o caso não foi aprovado. Edinho destacou que não há evidências contra Fábio Luís. "Nada o vincula a nenhuma denúncia. Nada do que foi apurado. Quebraram sigilo, e nada do que está nas contas bancárias dele vincula a qualquer desvio no INSS. Mas é evidente, ele é filho do presidente, acaba pagando o preço por isso", explicou.
O presidente do PT também ressaltou que Lula tem defendido a apuração rigorosa das denúncias, incluindo o caso envolvendo o Banco Master. Ele mencionou ainda que o presidente solicitou esclarecimentos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre relações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Dados recentes da pesquisa Datafolha indicam aumento na rejeição ao presidente, que chegou a 48%. O índice de desaprovação do governo alcançou 51%, enquanto a avaliação negativa (ruim ou péssimo) se manteve em 40%. Já a avaliação positiva (bom ou ótimo) recuou de 32% para 29%.
Apesar desse cenário, Edinho reafirmou a estratégia do partido de defender o legado do governo. "A nossa tarefa é deixar claro que quem está patrocinando a apuração de todas as denúncias, INSS, Master, é o presidente Lula. Se as denúncias estão sendo investigadas, é mérito do presidente Lula. E temos que continuar defendendo o legado do governo Lula; é o governo com maior entrega desde a redemocratização do Brasil. A verdade vai prevalecer, temos que trabalhar muito", disse.
Mesmo com o aumento da rejeição, o dirigente defendeu a candidatura de Lula à reeleição. "É evidente que uma liderança para substituir o presidente Lula, e nós temos essa consciência, não é simples, porque ele é o maior líder político do mundo", afirmou.
"O direito de decidir se é candidato ou não é do Lula, mas nós estamos trabalhando para que ele seja o nosso candidato. Eu penso que ele é a liderança mais preparada para conduzir o Brasil", concluiu.


