Lula sugere que Zelensky admita perda de territórios: “a situação está dada”
Presidente brasileiro volta a defender solução diplomática para guerra entre Rússia e Ucrânia
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o impasse na guerra entre Rússia e Ucrânia persiste porque ainda falta disposição política para reconhecer a realidade territorial do conflito. Na avaliação do presidente brasileiro, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, terá de admitir a perda de áreas ocupadas pela Rússia como parte de uma eventual negociação de paz. As declarações foram feitas durante participação na 2ª Conferência Nacional do Trabalho, realizada no centro de convenções do Anhembi, em São Paulo. As informações são do jornal O Globo.
Lula dedende via diplomática, mas diz que realidade territorial precisa ser reconhecida
Ao comentar o conflito, Lula reiterou que considera a via diplomática o único caminho possível para encerrar a guerra no Leste Europeu. Segundo ele, as posições territoriais atuais já são conhecidas pelos dois lados do conflito.
“Por que vocês acham que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou? A situação está dada. O Putin sabe que ele vai ficar com o que ele já ocupou e o Zelensky sabe que ele não vai ficar com o que ele já perdeu. Acontece que é preciso ter coragem para assumir esse fato”, declarou.
Histórico de divergências com Zelensky
A relação entre Lula e Zelensky tem sido marcada por divergências desde o início da guerra. Em ocasiões anteriores, declarações do presidente brasileiro sugerindo responsabilidade compartilhada pelo conflito provocaram reações internacionais e críticas de que o Brasil estaria alinhado à Rússia — interpretação negada pelo Itamaraty.
Em setembro do ano passado, os dois líderes se encontraram durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, Lula voltou a defender negociações como única saída para o conflito. Zelensky agradeceu ao brasileiro por sua “posição clara” em favor da paz.
Papel dos EUA nas negociações
As discussões internacionais sobre uma possível solução para a guerra têm contado com mediação dos Estados Unidos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou posições consideradas ambíguas em relação ao processo de negociação.
Ao mesmo tempo em que pressionou Zelensky a demonstrar maior abertura às condições apresentadas por Vladimir Putin, Trump também afirmou acreditar na possibilidade de uma ofensiva militar ucraniana bem-sucedida.


