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Mendonça amplia prazo de inquérito do caso Master por 60 dias

Decisão atende pedido da Polícia Federal, que aponta necessidade de novas diligências em investigação sobre fraudes bilionárias

André Mendonça (Foto: Carlos Moura/STF)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a prorrogação por 60 dias do inquérito que investiga o caso Master, que apura um esquema de fraudes financeiras de grande escala envolvendo o Banco Master. A medida foi adotada após solicitação da Polícia Federal, que apontou a necessidade de continuidade das investigações.

Na decisão, Mendonça destacou que a ampliação do prazo é necessária para a “realização de diligências reputadas imprescindíveis” ao esclarecimento dos fatos. Investigadores sustentam que ainda há um volume significativo de material apreendido que precisa ser analisado e periciado.

Entre os itens sob análise estão documentos, computadores e celulares recolhidos ao longo das fases da Operação Compliance Zero. O conjunto de provas é considerado essencial para avançar na apuração do esquema, que pode ter provocado prejuízos superiores a R$ 12 bilhões.

As investigações indicam a existência de um sistema de fabricação de carteiras de crédito falsas, além do desvio de recursos para enriquecimento pessoal de integrantes do grupo investigado. O empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, é apontado como figura central nas apurações.

A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro de 2025, com o cumprimento de mandados contra integrantes da cúpula da instituição financeira. Na ocasião, também foi determinado o afastamento do presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sob suspeita de envolvimento em operações consideradas irregulares.

Em janeiro de 2026, uma nova etapa teve como foco o rastreamento de recursos e a recuperação de ativos. Nessa fase, foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores, além da execução de 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e a seus familiares. Entre os bens apreendidos estavam veículos de luxo e dinheiro em espécie.

Na fase mais recente, realizada em março, as investigações revelaram indícios de uma estrutura voltada à coerção e à infiltração em órgãos reguladores. A Polícia Federal identificou um grupo denominado “A Turma”, descrito como uma milícia privada que teria atuado no monitoramento e na intimidação de adversários e jornalistas.

Também foram identificados indícios de que servidores do Banco Central atuaram como “consultores privados” do grupo, antecipando informações e facilitando processos regulatórios em troca de vantagens indevidas.

Diante do avanço das apurações, Daniel Vorcaro foi novamente preso, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. Os investigados poderão responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de justiça.

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