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Mercadante defende MP Brasil Soberano 2 e critica ataque dos EUA ao Pix: 'absurdo'

Presidente do BNDES aponta incômodo das big techs e diz que Brasil não aceitará pressões, “assim como não aceitou discutir o Estado Democrático de Direito”

Aloizio Mercadante (Foto: André Telles/BNDES)
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247 - O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a possibilidade de novas sanções dos Estados Unidos reforça a urgência da MP Brasil Soberano 2, medida voltada a proteger setores produtivos afetados por tarifas norte-americanas e por impactos externos sobre a economia brasileira, informa o jornal O Globo.

A medida provisória, identificada como MP 1345, é operada pelo BNDES e foi concebida para socorrer empresas atingidas pelo tarifaço anterior imposto pela administração Donald Trump, além de contemplar efeitos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Segundo Mercadante, o texto ainda pode passar por ajustes nos critérios de enquadramento para incluir setores mencionados no novo aumento de tarifas anunciado pelos Estados Unidos.

O programa prevê até R$ 21 bilhões em recursos para apoiar atividades econômicas prejudicadas pelas medidas externas. Para Mercadante, o avanço de novas pressões comerciais e financeiras torna mais necessária uma resposta coordenada do governo brasileiro.

Pix no centro da disputa

Além das tarifas, Mercadante criticou a tentativa dos Estados Unidos de limitar ou inibir o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Para ele, trata-se de uma inovação tecnológica de grande impacto, adotada de forma espontânea pelo mercado e com potencial para transformar transações financeiras e operações ligadas ao comércio exterior.

“Você não precisa mais da mediação do sistema anterior de pagamentos. Pode fazer direto, que é a moeda eletrônica. Assim como ela tende a substituir o papel moeda, vai substituir mecanismos de comércio exterior que existiam. Essa é a grande discussão”, disse Mercadante.

O presidente do BNDES classificou como “absurda” qualquer tentativa de interromper a expansão do Pix. Segundo ele, o mecanismo representa uma mudança tecnológica inevitável e mais eficiente do que sistemas tradicionais de pagamento.

“É um absurdo querer interromper um ciclo de inovação tecnológica que é inexorável, assim como as plataformas ocuparam um espaço da mídia, o computador substituiu a máquina de escrever, a ferrovia substituiu a diligência, o Pix é mais eficiente.”

Mercadante vê incômodo das big techs

Mercadante afirmou ainda que uma das principais áreas de tensão em torno do Pix envolve as big techs. Na avaliação dele, essas empresas buscam ampliar sua presença em operações financeiras e comerciais por meio de seus próprios canais digitais, enquanto o Pix se consolidou como uma alternativa de baixo custo e ampla adesão popular.

“Qual é o projeto delas? É cada vez se fidelizar mais à inteligência artificial e fazer todas as operações financeiras, comerciais, por dentro dos canais das big techs. E o Pix é muito competitivo porque é custo zero, a população já está usando, tem toda eficiência e credibilidade. Então as big techs são muito incomodadas".

O presidente do BNDES lembrou que, no início, o Pix gerou incômodo sobretudo entre operadoras de cartão de crédito. No entanto, segundo ele, o mercado se estabilizou. A avaliação citada por Mercadante acompanha a posição do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, segundo a qual a bancarização impulsionada pelo Pix também contribuiu para ampliar o uso de cartões.

De acordo com os dados mencionados no texto original, cerca de 42% dos valores transacionados no cartão de crédito no Brasil correspondem a operações parceladas sem juros. Em 2025, os volumes movimentados por cartões de crédito e débito superaram R$ 4 trilhões.

Brasil não deve limitar o Pix, diz presidente do BNDES

Mercadante afirmou que a orientação do governo é resistir a pressões para reduzir o alcance do Pix. Para ele, o país não deve abrir mão de um instrumento que melhora a eficiência econômica, amplia a produtividade e fortalece os meios de pagamento.

“Assim como o Brasil, soberanamente, não aceitou discutir o Estado Democrático de Direito e a punição pela tentativa de golpe, não vai aceitar e não vai abdicar um instrumento inovador, eficiente, que melhora a produtividade, a eficiência econômica e a qualidade dos meios de pagamento”, afirmou.

O presidente do BNDES também reagiu ao argumento ambiental usado contra o Brasil, classificando-o como “inacreditável”. Segundo ele, o governo Lula reduziu em 50% o desmatamento na Amazônia, chegando ao menor patamar em mais de três décadas. “O Fundo Amazônia tem sido um importante aliado nesta luta, mas não recebeu qualquer apoio do governo Trump”, completou.

Risco econômico com classificação de facções

Mercadante também demonstrou preocupação com a decisão recente dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Na avaliação dele, a medida pode provocar efeitos severos e imprevisíveis sobre a economia e o sistema financeiro.

O presidente do BNDES citou como exemplo operações envolvendo fundos, fintechs e contas sem controle adequado, alertando para o risco de punições a instituições financeiras mesmo quando não houver responsabilidade direta.

“Por exemplo, recentemente você teve uma operação sobre um fundo que estava conectado com a lavagem de dinheiro, aquelas fintechs e as contas bolsões, que não tinha controle do Banco Central do Roberto Campos Neto. Um banco que operou com aquele fundo, imediatamente, pode ser punido. Sem ter nenhuma informação, sem ter nenhuma responsabilidade, sem ter nenhuma conivência, mas simplesmente pela falta de informações para poder tomar medidas prudenciais. Então, é uma coisa temerária”, comentou.

Críticas ao bolsonarismo

Na mesma linha adotada pelo governo, Mercadante também criticou a atuação de setores do bolsonarismo diante das medidas dos Estados Unidos. Ele mencionou o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e estendeu as críticas a governadores ligados ao campo bolsonarista, como Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Eles têm uma visão de subordinação do Brasil. Não medem limites para o seu projeto, sendo coniventes e coautores de iniciativas que prejudicam o emprego, o salário, o desenvolvimento. Você não viu uma vez eles criticando o último tarifaço, não tomaram uma medida para amenizar o impacto nas economias regionais”, afirmou.

Ao comentar a declaração de Flávio Bolsonaro de que teria pedido para não haver aumento de tarifas contra empresas brasileiras, Mercadante comparou a fala à negativa do senador sobre relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, desmentida no mesmo dia. “Não tem credibilidade. Na política você pode perder popularidade, mas não credibilidade".

A fala de Mercadante ocorre em meio ao aumento da pressão sobre o governo brasileiro diante de novas medidas dos Estados Unidos, da disputa em torno do Pix e da tentativa de ampliar instrumentos de proteção às empresas nacionais por meio da MP Brasil Soberano 2.

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