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Mercadante projeta venda de 200 mil automóveis em novo programa de crédito para motoristas de táxi e aplicativos

Presidente do BNDES afirmou que linha de R$ 30 bilhões terá juros reduzidos, desconto mínimo das montadoras e até 72 meses para pagar

Mercadante projeta venda de 200 mil automóveis em novo programa de crédito para motoristas de táxi e aplicativos (Foto: Agência BNDES)
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247 - O presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (19) que o novo programa de crédito para motoristas de táxi e aplicativos, o Move Aplicativos, deve impulsionar a venda de ao menos 200 mil automóveis no país. 

Durante cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, Mercadante detalhou a linha de financiamento de R$ 30 bilhões que será operada pelo BNDES para a compra de veículos novos por taxistas, cooperativas de táxi e motoristas de aplicativo. Segundo ele, a estimativa inicial do governo é que o programa viabilize entre 200 mil e 300 mil vendas, considerando que parte dos trabalhadores poderá financiar apenas uma parcela do valor do carro.

“A nossa estimativa é que vão ser vendidos no mínimo 200 mil carros. Deve ser entre 200 mil e 300 mil carros, porque nem todo mundo vai pegar todo o financiamento. Vai pegar uma parte, vende o carro antigo, tem uma poupança, aí cada um vai encontrar a sua solução”, afirmou Mercadante.

O presidente do BNDES disse que os recursos serão destinados a profissionais que usam o veículo como instrumento de trabalho. No caso dos motoristas de aplicativo, será necessário comprovar cadastro ativo há pelo menos 12 meses e a realização de no mínimo 100 viagens no período. Para os taxistas, a lista dos profissionais habilitados será encaminhada ao banco pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

“Nós temos que ser muito rigorosos, porque isso aqui é para quem rala como motorista de aplicativo e de táxi. Não é para ninguém vir aqui e substituir aqueles que estão trabalhando e fazendo o seu trabalho”, disse.

Mercadante afirmou que a estimativa é de que entre 1,2 milhão e 1,4 milhão de motoristas de aplicativo possam acessar a linha. Segundo ele, as empresas de transporte por aplicativo deverão fornecer os cadastros para comprovar o vínculo e o cumprimento dos critérios exigidos.

“As empresas de aplicativo vão passar o cadastro, demonstrar que ele trabalhou um ano, que ele fez pelo menos 100 viagens e ele pode, portanto, participar desse financiamento”, declarou.

O programa financiará veículos de até R$ 150 mil. De acordo com Mercadante, esse teto abrange cerca de 62% dos carros novos vendidos no Brasil. Ele afirmou que todas as montadoras poderão participar, desde que ofereçam ao menos 5% de desconto sobre o preço de tabela.

“Você quer vender o seu carro nas condições mais favoráveis para quem está o dia inteiro, chuva e sol, entregando e servindo o povo brasileiro, vai ter que reduzir 5% pelo menos para entrar no programa”, afirmou. “Quem quiser reduzir mais é muito bem-vindo.”

O presidente do BNDES também apresentou as taxas de juros previstas. Para homens, a taxa será de 12,6% ao ano, equivalente a 0,99% ao mês. Para mulheres, será de 11,5% ao ano, ou 0,91% ao mês. Mercadante afirmou que a diferenciação busca estimular a presença feminina no transporte individual de passageiros.

“A mulher vai pagar menos por esse financiamento do que os homens para a gente estimular as mulheres nesse serviço”, disse. “Nós queremos mais motoristas mulheres, porque as mulheres também querem motoristas mulheres andando na rua.”

Segundo Mercadante, as trabalhadoras também poderão financiar equipamentos de segurança dentro do pacote, caso considerem necessário. A medida foi apresentada pelo governo como forma de ampliar a proteção de motoristas e passageiras.

Ao defender a participação do BNDES no programa, Mercadante afirmou que, embora o banco não financie automóveis de forma geral, o caso de taxistas e motoristas de aplicativo deve ser tratado de maneira distinta, porque o carro é uma ferramenta de geração de renda.

“Nós estamos aqui porque carro para quem é trabalhador de aplicativo ou de táxi é instrumento de trabalho, gera renda, gera salário, alimenta a família”, afirmou.

Mercadante também destacou que a linha de crédito terá prazo de até 72 meses para pagamento e afirmou que a inadimplência em financiamentos de veículos novos é considerada baixa. Segundo ele, esse dado reforça a segurança da operação para o banco público.

“A inadimplência de carro novo financiado é 3,4%, é baixa. Portanto, isso é um programa bastante seguro. Esse dinheiro vai ser muito bem aplicado”, disse.

O presidente do BNDES afirmou ainda que o banco vive uma fase de retomada da capacidade de financiamento. Ele disse que a instituição empresta cerca de R$ 1 bilhão por dia e voltou a ter papel relevante no estímulo à indústria e ao desenvolvimento.

“O BNDES voltou. Nós estamos com ativos de quase R$ 1 trilhão, voltou a ser um banco forte que impulsiona a indústria, o desenvolvimento e o automóvel”, afirmou.

Mercadante associou a medida também ao impacto sobre a cadeia produtiva. Segundo ele, o aumento da demanda por veículos novos movimenta setores como autopeças, siderurgia, metalurgia, borracha, plástico, material elétrico e tintas, além de atividades relacionadas a estradas, oficinas e postos de combustíveis.

“Atrás de um automóvel tem autopeça, tem siderurgia, metalurgia, borracha, plástico, material elétrico, tinta. Tudo isso move economia e gera emprego”, declarou.

Durante a cerimônia, Mercadante agradeceu a participação de integrantes do governo, do setor financeiro e da indústria automotiva na formulação da linha. Ele citou o apoio do Ministério da Fazenda, da Febraban e de cerca de 100 bancos que deverão operar o financiamento na ponta.

O programa foi anunciado como parte da estratégia do governo Lula para renovar a frota usada por trabalhadores do transporte individual, reduzir o custo com aluguel de veículos e estimular a produção nacional de automóveis. Além da linha para taxistas e motoristas de aplicativo, o governo também anunciou mudanças nas regras para motoboys, mototaxistas e motofretistas.

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