HOME > Brasil

Mesadas de Vorcaro a Ciro Nogueira somam R$ 6 milhões, diz PF

investigação cita pagamentos mensais, dinheiro em espécie e suposto favorecimento ao Banco Master

Ciro Nogueira seria 'destinatário central' de vantagens indevidas de Vorcaro, diz PF (Foto: Reprodução)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o escândalo do Banco Master apontam que uma empresa ligada ao senador e presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PI), recebeu ao menos R$ 6 milhões em repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro dono da instituição financeira, entre junho de 2024 e agosto de 2025. As informações são do SBT News

Segundo relatório da PF enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte, os pagamentos teriam ocorrido de forma periódica, variando entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês. Os investigadores apuram se os repasses estavam relacionados a ações políticas e legislativas que poderiam beneficiar interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

Mensagens apontam relação próxima

De acordo com a investigação, mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro indicam uma relação próxima entre o empresário e o senador. Em uma das conversas, Ciro Nogueira afirma ser “um dos seus maiores” amigos e diz estar “com saudades” e “às ordens” do então controlador do Banco Master.

A PF destaca que diálogos trocados entre Daniel Vorcaro e seu primo Felipe Vorcaro apontam conhecimento e autorização dos pagamentos. Em trecho reproduzido no relatório, os investigadores afirmam que os registros demonstram “ciência, anuência e prioridade atribuída por Vorcaro à manutenção desses repasses, os quais, no intervalo temporal identificado, totalizam montante mínimo estimado em R$ 6.000.000,00”.

Pagamento em espécie é citado pela investigação

Outro conjunto de mensagens analisado pela Polícia Federal envolve Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pelos investigadores como operador financeiro do esquema.

Em uma das conversas, Daniel Vorcaro escreve: “Resolve Ciro (...). Manda agora lá”. Na sequência, Zettel encaminha uma lista de pagamentos contendo a descrição: “Nota Ciro mais imposto 2. Espécie Ciro 350k”.

Segundo a PF, a anotação sugere que um pagamento de R$ 350 mil em dinheiro vivo teria como destinatário uma pessoa identificada como “Ciro”. Os investigadores consideram que o contexto da troca de mensagens reforça a suspeita de que a referência seja ao senador.

Negócio empresarial também é alvo de apuração

A investigação também analisa a aquisição de 30% da Green Energia Fundo de Investimento por uma empresa ligada a Ciro Nogueira.

De acordo com a PF, a participação teria sido comprada por R$ 1 milhão, embora o valor de mercado estimado para a operação fosse de aproximadamente R$ 12 milhões. Os investigadores apuram ainda a utilização de um suposto “contrato de gaveta” para formalizar o negócio.

Suposto favorecimento ao Banco Master

No relatório, a Polícia Federal aponta indícios de que os pagamentos teriam sido acompanhados de iniciativas legislativas favoráveis ao Banco Master. Entre os episódios citados está uma proposta que previa elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Conhecida nos bastidores como “Emenda Master”, a medida teria sido elaborada por um funcionário do banco, entregue na residência do senador em 13 de agosto de 2024 e protocolada horas depois, segundo os investigadores.

A PF também menciona outros projetos de lei que teriam sido encaminhados por representantes ligados a Vorcaro ao gabinete de Ciro Nogueira. Mensagens apreendidas mostram que o empresário teria solicitado a troca de um envelope identificado com a marca do Banco Master por outro sem identificação antes da entrega do material.

Segundo a reportagem, Ciro Nogueira não se manifestou sobre as acusações e os elementos apresentados pela investigação.

Artigos Relacionados