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Ministros do STF avaliam que ação conjunta da PF e da PGR impedirá vazamentos na delação de Vorcaro

Segundo magistrados do Supremo, a Polícia Federal e a Procuradoria terão papéis determinantes para preservar o sigilo das investigações sobre o empresário

Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação )

247 - Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram que a atuação coordenada entre a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) será determinante para preservar o sigilo das investigações sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após o banqueiro assinar um termo de confidencialidade. A avaliação dos magistrados, segundo a coluna do jornalista Valdo Cruz, no G1, aponta que a parceria entre as duas instituições dificultará vazamentos e a circulação de informações distorcidas sobre o processo.

O termo assinado por Vorcaro representa a etapa inicial de uma delação premiada que deverá tramitar integralmente sob sigilo. Em paralelo, o ministro do STF André Mendonça autorizou a transferência do empresário da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal na capital federal, onde as negociações deverão avançar em ambiente mais controlado.

Relações com políticos e autoridades

A delação de Vorcaro promete ser um dos capítulos mais sensíveis do caso. Entre os temas que o banqueiro deverá abordar estão suas relações com políticos e, segundo as apurações, com os próprios ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes — o que eleva consideravelmente o peso institucional do processo e justifica o rigor no controle das informações.

Investigação da PF aponta fraudes bilionárias

O esquema investigado pela PF é de proporções expressivas. De acordo com os investigadores, as fraudes financeiras atribuídas ao grupo movimentaram entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões em todo o território nacional. A engrenagem criminosa envolvia a criação de carteiras de crédito fictícias, que seriam posteriormente vendidas ao Banco de Brasília (BRB) com o objetivo de encobrir o rombo contábil acumulado pela instituição.

O colapso do Banco Master já havia culminado em uma intervenção regulatória de grande impacto. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, após constatar uma grave crise de liquidez provocada pela prática de oferecer rendimentos acima do mercado para atrair investidores. A estratégia gerou uma captação insustentável e acelerou o colapso financeiro do banco.

Com Vorcaro agora sob custódia da PF e em vias de fechar um acordo de colaboração, as investigações entram em uma fase decisiva. A expectativa dentro do STF é de que a condução conjunta do processo entre PF e PGR garanta não apenas o sigilo das negociações, mas também a integridade das informações que emergirão de uma das delações mais aguardadas da história recente do sistema financeiro brasileiro.

Congresso Nacional

A Polícia Legislativa do Congresso Nacional será acionada para apurar o vazamento de dados obtidos a partir da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O anúncio foi feito nesta terça-feira (17) pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) responsável por investigar descontos irregulares em benefícios do INSS.

"Sabemos é que existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação e informações particulares ligadas à quebra de sigilo de Daniel Vorcaro que poderiam inviabilizar as provas", disse o senador, reconhecendo que dados sigilosos chegaram a vazar e que o episódio representa um risco concreto para a integridade das investigações em curso.

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