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Ministros do STF veem crise inédita e cresce pressão para Toffoli deixar caso Master

Revelação de mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro aumenta a tensão na Corte

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) - Brasília-DF - 09/06/2020 (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

247 - O Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa, na avaliação de integrantes da própria Corte, um momento de crise considerado sem precedentes diante dos desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master. Nos bastidores, aumentou nas últimas horas a pressão interna para que o ministro Dias Toffoli deixe a relatoria do caso, embora ele tenha sinalizado a auxiliares e pessoas próximas que não pretende abrir mão do processo. As informações são da Folha de São Paulo.

 Toffoli deve formalizar ainda nesta semana uma resposta ao presidente do STF, Edson Fachin, no contexto de uma arguição de suspeição levantada pela Polícia Federal (PF). O caso ganhou nova dimensão após a PF encaminhar a Fachin um relatório relatando ter encontrado menções ao ministro no celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Segundo o documento citado, mensagens obtidas na investigação indicariam pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem Toffoli entre seus sócios. O conteúdo do relatório elevou o desgaste interno e reforçou o clima de tensão entre ministros, que avaliam que o episódio pode aprofundar ainda mais a crise institucional dentro do Supremo.

Diante da repercussão, Toffoli divulgou duas notas públicas. Na quarta-feira, afirmou que o pedido da PF estaria sustentado em “ilações”. Já nesta quinta-feira, o ministro negou ter amizade com Vorcaro ou ter recebido dinheiro do empresário. Ele, no entanto, confirmou ter sido sócio do resort Tayayá, citado no contexto das apurações.

Fachin volta ao centro da crise e tenta evitar novo desgaste institucional

No STF, cresce a percepção de que o cenário se tornou ainda mais delicado para Toffoli e, consequentemente, para o presidente da Corte. Ministros avaliam que Fachin volta a ser colocado em uma posição de forte pressão sobre como conduzir o aumento dos desgastes e a instabilidade política que ronda o tribunal.

De forma reservada, um ministro afirmou que Fachin precisará agir com habilidade na interlocução com o Senado Federal para conter uma possível tentativa de impeachment contra Toffoli, em meio a campanhas lideradas por parlamentares da oposição.

Apesar do aumento das tensões, a tendência é que Fachin rejeite a arguição de suspeição, já que, conforme a avaliação interna relatada, a Polícia Federal não teria legitimidade legal para apresentar um pedido desse tipo. A decisão, caso ocorra nesses termos, deve ser individual, sem levar o tema ao colegiado.

Além disso, a expectativa é que a manifestação de Fachin não entre no mérito das relações mencionadas pela PF entre Toffoli e Vorcaro. Ainda assim, existe a possibilidade de o presidente do Supremo levar o debate ao plenário, caso considere necessário para dar uma resposta institucional mais ampla.

Defesa pública pode contrariar discurso ético de Fachin

A crise reacende um dilema que Fachin já enfrentou recentemente, quando precisou retornar a Brasília durante o recesso de janeiro para tratar de questões sensíveis relacionadas à imagem do tribunal. Segundo interlocutores do ministro, um eventual gesto público em defesa de Toffoli poderia entrar em contradição com a linha adotada por Fachin desde o início de sua gestão, marcada por discursos em favor da ética e do fortalecimento da conduta institucional.

O presidente do STF também teria sido aconselhado por um colega a evitar medidas abruptas em meio ao cenário de fragilidade, para não ampliar a vulnerabilidade do tribunal. De acordo com esse alerta, ações mais incisivas poderiam abrir espaço para uma nova onda de ataques contra o Supremo.

STF e STJ enfrentam desgaste e buscam recuperar credibilidade

A crise envolvendo o Banco Master ocorre em paralelo a outro momento de forte desgaste no Judiciário. Ministros observam que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também vive turbulências, diante das acusações de assédio que atingiram a corte. Para integrantes do Supremo, o desafio agora é recuperar a confiança pública e afastar a percepção de que o Judiciário estaria amplamente desmoralizado.

O episódio amplia preocupações sobre a capacidade do sistema judicial de preservar sua legitimidade diante de sucessivas crises e denúncias que atingem figuras centrais do poder.

Toffoli defendeu participação de magistrados em empresas

Na semana passada, durante debate realizado em sessão plenária, Dias Toffoli defendeu que magistrados possam ser sócios de empresas, desde que não exerçam função de direção. Na ocasião, afirmou:

"Vários magistrados são donos de empresas e, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos."

A declaração voltou a circular nos bastidores do Supremo após a divulgação do relatório da PF e reforçou o debate interno sobre conduta, ética e limites da atuação de ministros e juízes em atividades empresariais, em um momento em que a Corte enfrenta um dos maiores desafios recentes para preservar sua imagem institucional.

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