Mortes de brasileiros no conflito na Ucrânia crescem e Itamaraty reforça alerta sobre alistamento em forças estrangeiras
Mais de 20 brasileiros morreram na guerra desde 2022; metade dos óbitos ocorreu no ano passado
247 - O número de brasileiros mortos durante o conflito na Ucrânia cresceu de forma acentuada em 2025. O governo brasileiro contabiliza 23 mortes desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. Desse total, 12 ocorreram apenas no ano passado, o equivalente a 52%. Em 2026, outros três brasileiros já foram declarados mortos em pouco mais de um mês, segundo dados do Itamaraty. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
A pasta também registrou aumento no número de desaparecidos. São 44 casos no total, sendo 34 incluídos na lista apenas em 2025. Os dados consideram apenas ocorrências oficialmente comunicadas ao Brasil pelos governos da Rússia e da Ucrânia. Os números levaram o governo brasileiro a ampliar alertas nas redes sociais sobre os riscos de participação em combates fora do país. O Ministério das Relações Exteriores também aponta relatos de brasileiros que enfrentam dificuldades para deixar as forças militares estrangeiras após o alistamento.
Recrutamento em redes sociais promete salários elevados
Segundo o órgão, o recrutamento ocorre com intermediação de brasileiros que vivem no exterior e por meio de conteúdos em redes sociais que exaltam a guerra e prometem treinamento e salários elevados. Na prática, os relatos indicam cenário diferente do apresentado online. Nesta semana, mais um brasileiro pode ter morrido em combate: o paraense Wesley Adriano Silva, que atuava como voluntário nas forças ucranianas, teria sido atingido por disparos de artilharia, segundo publicações de amigos nas redes sociais. O Itamaraty o classifica como desaparecido.
Itamaraty reforça alertas sobre limitações da assistência consular
Na quinta-feira (12), o Itamaraty reforçou a recomendação para que brasileiros recusem convites ou ofertas de trabalho em exércitos estrangeiros. O órgão afirma que a assistência consular nesses casos pode ser "severamente limitada". O alerta também informa que não existe obrigação do poder público de custear retorno ao Brasil. Segundo o ministério, voluntários podem ficar sujeitos a processos em cortes internacionais e também no território brasileiro.
A engenheira civil Mariana Figueredo de Souza afirmou que teve prejuízo financeiro para retirar o irmão da Ucrânia. Segundo ela, ele foi influenciado por publicações nas redes sociais e viajou à Europa em novembro de 2025 para se voluntariar nas forças de Kiev. O irmão acreditava que trabalharia em ações humanitárias, mas acabou enviado rapidamente para a linha de frente, sem treinamento adequado, para o que descreveu como "missões suicidas".
Mariana afirma que pagou 250 euros para um motorista resgatar o irmão do front. Após chegar a Lviv, ele teria sido impedido de cruzar a fronteira com a Polônia porque o contrato com as forças ucranianas ainda estaria ativo. Ele perdeu um voo de retorno ao Brasil, cuja passagem custou R$ 12 mil. "Fiquei uma semana sem trabalhar. Eu não comia nem dormia. Estava em desespero".
Segundo ela, o custo total para retirar o irmão da zona de guerra chegou a R$ 25 mil, incluindo passagens, hospedagem e alimentação. Atualmente, ele vive em Itapevi, em São Paulo, e estaria psicologicamente abalado. Iniciada em 24 de fevereiro de 2022, o conflito já provocou elevado número de baixas militares. Estudo do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais aponta até 1,8 milhão de baixas até o fim de 2025, incluindo cerca de 465 mil mortes.


