‘Não achem que esqueci o que fizeram’, afirma Lula, em recado à imprensa lavajatista
Presidente cita PowerPoint da Globo e relata conversa com dirigente da emissora sobre episódio
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não esqueceu episódios envolvendo a atuação de parte da imprensa durante a Operação Lava Jato e cobrou mais responsabilidade na divulgação de informações.
A declaração foi feita em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), quando Lula também relembrou uma conversa com um dirigente da Globo sobre um conteúdo exibido pela emissora.
Durante a entrevista, o presidente citou o episódio do PowerPoint que, segundo ele, buscava estabelecer conexões indevidas. “Não sei se você se lembra do PowerPoint. Tive uma conversa com o dirigente da Globo, para mostrar a irresponsabilidade daquele PowerPoint, de tentar mostrar a conexão de um cara com o presidente da República, com o Banco Central, e ainda colocar a bandeira do PT”, afirmou.
Lula disse que cobrou explicações diretamente da emissora. “Como eu já fui vítima muitas vezes, eu tive uma conversa muito séria. Não dá para a gente admitir mais esse tipo de sacanagem”, declarou.
O presidente também criticou o histórico de cobertura da mídia em diferentes períodos eleitorais e políticos. “Eu fui vítima disso em 1989, em 1994, em 1988. Em 2002 eu chamei a Globo para conversar porque o jornal O Globo dava mais destaque à Heloísa Helena [...] do que ao presidente, que era o primeiro colocado”, disse.
Segundo Lula, a atuação da imprensa durante a Lava Jato teve impactos significativos. “Em 2014 a canalhice que foi feita com a Lava Jato, que a imprensa não pede desculpa e eu não vou ficar lamentando. Eles criaram uns monstros em nome de combater a corrupção, sem levar em conta o que estava acontecendo nesse país”, afirmou.
O presidente destacou ainda consequências pessoais. “Eu sei o preço que eu paguei. E para mim aceitar concorrer ao terceiro mandato era deixar todo rancor de lado. [...] Mas não posso permitir que eles achem que eu esqueci o que eles fizeram. Eu sei que a minha família foi destruída”, declarou.
Lula relatou que, na conversa com o dirigente da Globo, foi informado de que a responsabilidade pelo episódio havia sido atribuída a um funcionário. “[O dirigente da Globo] falou que foi uma pessoa que fez e que foi mandada embora. Ou seja, quem é que pagou o pato? O bagrinho”, disse.
Apesar das críticas, o presidente afirmou que não pretende manter conflitos permanentes com a imprensa. “Eu fui eleito para governar esse país e quero governar”, declarou.
Por fim, Lula defendeu liberdade de imprensa, mas com compromisso com a verdade. “Eu jamais vou pedir a um jornalista [...] ‘falem bem de mim’. Seja livre. Fale mal, mas fale a verdade. Não invente história. Eu sei o que eu passei com as mentiras contadas”, afirmou, acrescentando que erros deveriam ser reconhecidos: “As pessoas precisam aprender, pelo menos, a pedir desculpas”.


