Não houve diálogo entre Fazenda e BC na gestão Campos Neto, diz Haddad
Ministro afirma que só houve diálogo institucional após posse de Galípolo e que suspeitas de fraude levaram à atuação do MP e da PF
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (29) que não existiu diálogo entre o Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda durante a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária. A declaração ocorre no contexto do chamado Caso Master, que levou o BC a instaurar uma auditoria interna para apurar possíveis falhas no processo de fiscalização do Banco Master antes de sua liquidação extrajudicial. As informações são do G1.
O procedimento interno do Banco Central foi aberto em novembro do ano passado, mas só veio a público agora porque corre sob sigilo dentro da instituição. De acordo com Haddad, a ausência de interlocução marcou todo o período em que Campos Neto presidiu o BC, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro afirmou que a comunicação entre as duas instituições só passou a existir com a posse do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
“Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo. O Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do ‘acabaxi’ que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras”, disse Haddad.
O Banco Central iniciou a auditoria logo após a liquidação do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. O objetivo central do procedimento é investigar por que a área técnica da autarquia demorou a identificar a expansão de operações consideradas de alto risco, apesar de sinais que, segundo a apuração jornalística, poderiam ter justificado uma intervenção mais precoce.
As defesas de ex-gestores do banco questionam a rapidez da liquidação, alegando que a medida teria sido precipitada. No entanto, a linha predominante da auditoria, conforme relatado no blog de Ana Flor, aponta que já havia elementos suficientes para a adoção da medida em um momento anterior.
Haddad reforçou que, diante da identificação de indícios criminais, o tratamento do caso extrapolou o âmbito administrativo do Banco Central. “Quando você detecta uma fraude, não tem como manter no interior do Banco Central o problema, porque você não está falando de má gestão, está falando de crime”, afirmou o ministro.
Segundo o BC, o processo de auditoria permanece sob sigilo. A investigação busca esclarecer eventuais responsabilidades internas e avaliar se houve falhas nos mecanismos de supervisão que permitiram o avanço das operações de risco antes da intervenção na instituição financeira.


