HOME > Brasil

Nunes Marques suspende pesquisa que mostrou queda de Flávio Bolsonaro

Pesquisa AtlasIntel mostrava queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula

Flávio Bolsonaro e Kassio Nunes Marques (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado | Sophia Santos/STF)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A Justiça Eleitoral determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e divulgada nesta segunda-feira (8).

O levantamento, realizado pela AtlasIntel, indicava uma redução de cinco pontos percentuais no desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL. Com a decisão, o instituto não poderá manter os resultados da pesquisa em seus canais oficiais até que o caso seja analisado pelo plenário da Corte.

Nunes Marques entendeu que há indícios de comprometimento da metodologia empregada no estudo, especialmente em razão da estrutura do questionário aplicado aos entrevistados. A decisão individual do ministro deverá ser submetida ao referendo dos demais integrantes do TSE durante sessão prevista para esta terça-feira (9).

Na ação apresentada ao tribunal, o Partido Liberal argumentou que o questionário foi elaborado de maneira a induzir respostas negativas sobre o senador. Segundo a legenda, das 49 perguntas formuladas, oito tratavam diretamente do Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que poderia influenciar a percepção dos participantes antes da aferição da intenção de voto.

O partido sustentou ainda que houve uma progressão temática nas perguntas, passando por tópicos como disputa eleitoral, comparação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, supostas fraudes financeiras, Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento do senador e eventual impacto dessas questões sobre sua candidatura.

Outro ponto questionado pelo PL foi a utilização de um áudio durante a pesquisa. De acordo com a legenda, o material não poderia ter sido empregado por não haver comprovação de sua autenticidade.

Ao fundamentar a decisão, Nunes Marques afirmou que a metodologia utilizada pode ultrapassar a função informativa de uma pesquisa eleitoral.

“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, escreveu o ministro.

Na decisão, o magistrado também destacou que a discussão não se resume a divergências metodológicas comuns em levantamentos eleitorais.

“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado.”

O presidente do TSE observou ainda que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não utilizaram questionários com conteúdo semelhante nem recorreram à veiculação de áudio durante as entrevistas.

O levantamento questionado ouviu 5.032 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 18 de maio. Segundo o instituto, a margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

Artigos Relacionados