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Operação da PF contra Ciro Nogueira explode no colo de Flávio Bolsonaro e abala aliança da direita

Operação da PF contra o senador Ciro Nogueira gera tensão na aliança entre PL, PP e União Brasil

Caso Flávio Bolsonaro: Ministério Público quebra sigilo de tesoureiras do PSL do Rio (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A operação da Polícia Federal (PF) que teve o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), como alvo provocou turbulência na estratégia eleitoral do entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa presidencial de 2026. Segundo o jornal O Globo, aliados do parlamentar admitem que a investigação trouxe desgaste para a articulação entre o PL e a federação União Brasil-PP, considerada peça fundamental do projeto bolsonarista para as próximas eleições.

O avanço das investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master e a chamada “blindagem política” negociada pelo empresário Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de preocupação na pré-campanha. Ao mesmo tempo em que busca preservar a aliança com o Centrão, Flávio Bolsonaro tenta afastar o desgaste político e associar o escândalo ao PT.

PL teme impacto eleitoral da crise no PP

Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que um rompimento com União Brasil e PP teria alto custo eleitoral, principalmente por causa das alianças regionais construídas nos últimos meses.

Hoje, o PL mantém acordos ou negociações avançadas com a federação em pelo menos nove estados. No Distrito Federal, o partido apoia a vice-governadora Celina Leão (PP). Na Bahia, interlocutores articulam aproximação com ACM Neto (União Brasil). Em Alagoas, o PL deve apoiar Arthur Lira (PP) para o Senado.

Também há alinhamentos políticos no Tocantins, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. Neste último estado, PP e União Brasil orbitam o grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal aliado eleitoral de Flávio Bolsonaro e peça-chave da direita para 2026.

A repercussão da operação da PF levou ao adiamento de um evento em que o PP oficializaria apoio a Tarcísio. A decisão teve como objetivo evitar desgaste tanto para Ciro Nogueira quanto para o governador paulista, que participariam do ato ao lado do secretário Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado. Mesmo diante da crise, Tarcísio afirmou que a investigação contra Ciro Nogueira não afetará sua campanha à reeleição.

Flávio Bolsonaro intensifica ataques ao PT

Em meio à repercussão da investigação, Flávio Bolsonaro reforçou o discurso para tentar vincular o caso Master ao PT. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o senador criticou o partido e mencionou a resistência petista à instalação da CPI do Banco Master. O senador também citou supostas ligações entre o Banco Master e integrantes do PT na Bahia, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner.

Horas após a operação da PF, Flávio divulgou nota classificando como “graves” as informações reveladas pela investigação e defendeu uma “ampla apuração” conduzida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado para a Corte por Jair Bolsonaro (PL).

Federação União-PP vira peça central para 2026

O posicionamento de Flávio Bolsonaro provocou desconforto entre aliados do Centrão e integrantes da própria pré-campanha bolsonarista. Nos bastidores, interlocutores ligados a Ciro Nogueira avaliaram que o senador adotou um tom excessivamente distante do presidente do PP.

Reservadamente, aliados chegaram a classificar a repercussão da nota como um “desastre”, diante do temor de desgaste político na relação entre PL e PP. Um interlocutor próximo ao senador afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá explorar o slogan “BolsoMaster” para tentar associar o clã Bolsonaro ao escândalo envolvendo o banco do empresário Daniel Vorcaro

Apesar disso, lideranças do PL defendem a manutenção da federação como prioridade estratégica para fortalecer a presença regional da direita. “Não podemos confundir CPF com CNPJ. O que aconteceu diz respeito ao Ciro, não à federação. Tudo que o Lula quer é que desistamos da federação para tentar pegar o tempo de televisão”, afirmou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Ala ideológica do PL ganha força após operação

O avanço das investigações contra Ciro Nogueira fortaleceu, dentro do PL, o grupo que resiste ao aumento da influência do Centrão sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Integrantes da ala mais ideológica do bolsonarismo passaram a defender com mais intensidade uma chapa presidencial com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) como vice. A avaliação desse grupo é que Zema teria maior capacidade de diálogo com o mercado financeiro e o agronegócio sem carregar o desgaste político provocado pelo caso Master.

As divergências internas também ganharam novos capítulos em São Paulo. A decisão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro de apoiar André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa paulista, para o Senado também provocou reação negativa entre integrantes do núcleo mais radical do bolsonarismo.

Em nota divulgada após a operação da PF, Ciro Nogueira afirmou que há uma tentativa de “manchar” sua honra e associou o episódio a perseguições políticas sofridas em disputas eleitorais anteriores. Sem citar diretamente a investigação, o senador declarou que “todo ano político é a mesma coisa” e afirmou que tentam “parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”.

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