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Operação da PF sobre vazamento de dados da Receita eleva tensão entre ministros do STF

Ministros veem possível abuso e questionam decisão de Alexandre de Moraes

Operação da PF sobre vazamento de dados da Receita eleva tensão entre ministros do STF (Foto: Luiz Silveira/STF)

247 - A operação realizada pela Polícia Federal contra servidores da Receita Federal suspeitos de vazar dados sigilosos envolvendo parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) provocou forte reação dentro da Corte. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e gerou incômodo entre integrantes que não fazem parte de seu círculo mais próximo. Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, dois ministros ouvidos sob reserva classificaram a iniciativa como “absurda” e apontaram indícios de possível abuso de autoridade na condução do caso.

Desconforto e falta de comunicação

Nos bastidores do Supremo, causou mal-estar o fato de Moraes não ter informado previamente os colegas sobre a suspeita de acesso indevido a seus próprios dados fiscais. A ausência de comunicação foi interpretada como um gesto que ampliou a desconfiança interna.

De acordo com a reportagem, um magistrado relatou ter manifestado sua insatisfação ao presidente do STF, Edson Fachin. A avaliação é de que o episódio envolve diretamente informações sensíveis da Corte e exigiria tratamento mais compartilhado.

Questionamentos sobre alcance da investigação

Outro ponto de crítica foi o pedido feito à Receita Federal para que verificasse eventual acesso ilegal aos dados de cerca de 100 pessoas. Internamente, a medida foi vista por alguns ministros como uma possível “fishing expedition”, expressão do jargão jurídico que define buscas genéricas sem objetivo específico para encontrar indícios de crime. A prática foi frequentemente atribuída à força-tarefa da Lava Jato no passado e agora volta a ser mencionada, de forma reservada, dentro do próprio Supremo.

Temores relacionados ao caso Banco Master

O ambiente de tensão é reforçado pelo contexto recente envolvendo o caso Banco Master. Ainda está presente na memória dos ministros o vazamento de uma reunião reservada que resultou na renúncia de Dias Toffoli à relatoria do processo.

O vazamento ocorreu após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF um relatório listando razões para a suspeição de Toffoli, entre elas o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro.

Trechos literais das falas de magistrados durante a reunião foram divulgados pela imprensa. A publicação levou colegas a suspeitar que Toffoli pudesse ter gravado o encontro e realizado vazamento seletivo de partes que o favoreciam. Toffoli nega qualquer gravação.

Segundo a reportagem, a nova operação determinada por Moraes é vista por alguns ministros como reflexo do receio de desgaste semelhante ao ocorrido no episódio anterior. 

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