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Petrobras afirma que importadores estão desviando diesel destinado ao Brasil

Estatal afirma que navios destinados ao Brasil foram redirecionados e pressiona por medidas para garantir o abastecimento interno

Logo da Petrobras no Rio de Janeiro 05/06/2025 REUTERS/Ricardo Moraes (Foto: Reuters)

247 - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (18) que importadores privados de combustíveis têm redirecionado navios inicialmente contratados para abastecer o Brasil, ampliando as incertezas sobre o suprimento nacional em meio ao cenário internacional marcado pela guerra no Irã.

De acordo com a executiva, a estatal identificou movimentações de embarcações que estavam próximas de portos brasileiros e tiveram suas rotas alteradas. “A inteligência competitiva da Petrobras monitorou seis navios de terceiros direcionados ao Brasil. Alguns chegaram até perto de portos brasileiros e tiveram os seus destinos desviados”, declarou.

A mudança de destino das cargas estaria associada à busca por mercados mais lucrativos, diante da escassez global de diesel. Enquanto isso, a Petrobras tenta compensar o impacto com o aumento da produção interna. “A estatal tem feito ‘das tripas coração’ para ampliar a produção do combustível em suas refinarias”, afirmou Magda.

Apesar dos esforços, a presidente da companhia reconheceu limitações estruturais. “Nossa capacidade de importação não atende toda a demanda do Brasil. Isso é bom que se diga. Por que isso aconteceu? Porque o Estado brasileiro, num determinado momento, decidiu que a Petrobras não ficaria sozinha nesse mercado”, disse.

No mercado interno, os preços praticados pela Petrobras seguem abaixo da paridade de importação. Na quarta-feira (18), o diesel vendido pelas refinarias da estatal estava R$ 2,15 por litro mais barato do que o valor internacional de referência. Já a gasolina apresentava diferença de R$ 1,33 por litro.

Diante desse cenário, entidades do setor de combustíveis enviaram ao governo um pedido de reajuste nos preços do diesel, argumentando que a defasagem inviabiliza economicamente as importações. No documento, afirmam que “o caminho mais sustentável para o setor passa pelo equilíbrio de preços com o mercado internacional, pela previsibilidade regulatória, pela concorrência saudável e por políticas que assegurem o equilíbrio entre oferta e demanda”.

As entidades também avaliam que o reajuste anunciado pela Petrobras na semana anterior foi insuficiente, classificando-o como “uma resposta parcial” às dificuldades enfrentadas pelo setor.

Outra demanda apresentada envolve a retomada dos leilões de volumes adicionais de combustíveis pela estatal, considerados essenciais para reforçar o abastecimento. Empresas relatam aumento da demanda ao mesmo tempo em que enfrentam cortes nas cotas de fornecimento e negativas de pedidos adicionais.

A preocupação com o abastecimento para abril cresce entre agentes do mercado. Na terça-feira (17), a Petrobras comunicou o cancelamento de leilões previstos para o início da semana, optando por reavaliar o cenário antes de disponibilizar novos volumes.

A estatal afirma que tem fornecido ao mercado volumes cerca de 15% superiores aos contratados e que adiou paradas programadas para manutenção em refinarias, com o objetivo de garantir o suprimento de combustíveis enquanto persistirem os efeitos da crise internacional.

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