PF aponta Ciro Nogueira como “destinatário central” de vantagens indevidas de Vorcaro
Investigação cita pagamentos, entrega de minutas legislativas e atuação em favor de interesses do banco de Daniel Vorcaro
247 - A Polícia Federal identificou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como o “destinatário central” de supostas vantagens indevidas oferecidas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações constam em relatório da PF citado na decisão judicial que embasou a operação deflagrada nesta quinta-feira (7).
Segundo os investigadores, o parlamentar teria utilizado o exercício do mandato para favorecer interesses privados do Banco Master em troca de benefícios financeiros e patrimoniais. A apuração menciona pagamentos recorrentes, compra de participação empresarial com desconto considerado elevado, custeio de despesas pessoais, utilização de bens de alto valor e até indícios de repasses em dinheiro vivo.
De acordo com a PF, um dos principais exemplos da relação entre Vorcaro e o senador envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central. A proposta busca alterar a Constituição para ampliar a autonomia técnica, administrativa, orçamentária e financeira do Banco Central.
A investigação aponta que a emenda de número 11, assinada por Ciro Nogueira, previa elevar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, o texto teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue ao senador em um envelope.
O Banco Master entrou no radar das autoridades por adotar uma estratégia agressiva de captação de recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com garantia do FGC. Para os investigadores, a ampliação do limite do fundo beneficiaria diretamente a operação financeira da instituição.
Ainda conforme o relatório, a proposta enviada ao Senado reproduziu integralmente a versão produzida pelo banco. A PF afirma que o documento foi encaminhado inicialmente à equipe de Vorcaro e depois levado à residência do senador.
Após a apresentação da emenda, Daniel Vorcaro teria afirmado que o texto “saiu exatamente como mandei”, segundo trecho reproduzido na decisão judicial.
Os investigadores também relataram a circulação de minutas de projetos legislativos de interesse do empresário dentro da residência de Ciro Nogueira. Conforme a PF, os documentos eram posteriormente enviados ao gabinete parlamentar.
Em um episódio citado na investigação, ocorrido em novembro de 2023, Vorcaro teria determinado a retirada de envelopes contendo minutas legislativas da casa do senador. Os documentos teriam sido levados a um escritório indicado pelo empresário para revisão e, posteriormente, entregues a um servidor ligado ao gabinete parlamentar.


