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PF aponta semelhança entre compra de apartamento para Jaques Wagner e suposto esquema de propina no BRB

Investigação afirma que imóvel de R$ 2,5 milhões teria seguido dinâmica parecida à usada em aquisições ligadas ao ex-presidente do Banco de Brasília

Jaques Wagner (Foto: Andressa Anholete / Agência Senado)
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247 – A Polícia Federal apontou, em investigação sobre o Banco Master, que a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões associado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, teria seguido uma dinâmica semelhante à identificada em suposto esquema de pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

As informações foram reveladas pelo Estadão, que teve acesso a elementos da investigação. Segundo a reportagem, a PF apura suspeitas de pagamentos de propina relacionados ao Banco Master e afirma que o mesmo operador aparece nas duas situações: o advogado Daniel Monteiro, preso na fase da Operação Compliance Zero que também mirou Paulo Henrique Costa.

O senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Em manifestação de sua assessoria, o parlamentar afirma que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”. A defesa também nega que Wagner tenha atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.

Investigação menciona fundos e empresas intermediárias

De acordo com a PF, o apartamento relacionado a Wagner teria sido adquirido por meio de um fundo de investimento administrado pela gestora Reag, também investigada na Operação Compliance Zero por suspeita de participação em crimes financeiros ligados ao Banco Master.

A investigação afirma que o fundo transferia recursos para outra empresa, que formalmente comprava o imóvel junto à construtora. Para a PF, essa estrutura teria servido para mascarar a origem dos recursos e ocultar o beneficiário final da operação.

Em trecho citado pelo Estadão, a Polícia Federal afirma:

"O fluxo financeiro utilizado para mascarar a origem dos recursos e o beneficiário da compra do imóvel ocorre com sistemática muito semelhante à adotada na propina paga ao então presidente do BRB, PAULO HENRIQUE COSTA: o dinheiro transita por fundos de investimento, para ao final aportar em pessoa jurídica de fachada, registrada em nome de laranja e criada exclusivamente para esta finalidade. A empresa, formalmente constituída como S.A. ou SPE (modalidades que facilitam a ocultação do beneficiário final), adquire formalmente o imóvel, que na prática é o objeto constitutivo da vantagem indevida", escreveu a PF.

Segundo a apuração, no caso envolvendo o ex-presidente do BRB, Daniel Vorcaro teria solicitado a Daniel Monteiro que viabilizasse uma operação de aquisição de seis apartamentos, avaliados em R$ 146 milhões. Desse total, R$ 74 milhões teriam sido efetivamente pagos.

PF vê correspondência com fases anteriores da Operação Compliance Zero

A Polícia Federal também relaciona o caso do apartamento nº 1.702 do empreendimento Poème Horto a estruturas societárias ligadas à Reag. Segundo os investigadores, fundos administrados pela gestora teriam sido identificados como veículos de lavagem de ativos em benefício do grupo Master.

Em outro trecho reproduzido pelo Estadão, a PF afirma:

"Essa dinâmica encontra correspondência direta com o modus operandi identificado em fases anteriores da Operação Compliance Zero, quando foi comprovado o emprego sistemático de interpostas pessoas por DANIEL MONTEIRO para ocultar a entrega de imóveis como vantagens indevidas a agentes públicos cooptados, a exemplo do ex-presidente do BRB, PAULO HENRIQUE COSTA. Reforça essa hipótese o fato de que os valores destinados ao apartamento nº 1.702 do Poème Horto terem sido disponibilizados por estruturas societárias ligadas à REAG, cujos fundos de investimento foram identificados no curso das investigações como veículos de lavagem de ativos em benefício do grupo MASTER, sobretudo por AUGUSTO FERREIRA LIMA", escreveu a PF.

A investigação também menciona Augusto Ferreira Lima, ligado às estruturas financeiras citadas pela PF. Sua defesa nega irregularidades e afirma que as diligências realizadas foram desnecessárias, pois ele estaria há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Jaques Wagner nega irregularidades

A assessoria de Jaques Wagner afirmou que o senador acompanha “com tranquilidade” o andamento das investigações e mantém confiança na condução do caso. A nota ressalta que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar.

"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas. Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira", diz a assessoria.

Sobre valores em espécie apreendidos, a assessoria afirmou que o montante seria fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.

"Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá", acrescentou.

Em entrevista mencionada pelo Estadão, Wagner também negou irregularidades na operação envolvendo o apartamento e afirmou que pagaria posteriormente pelo imóvel. Sua defesa disse ainda que ele nunca favoreceu o Banco Master em sua atuação parlamentar.

Defesa de Augusto Lima fala em fatos lícitos

A defesa de Augusto Lima também se manifestou sobre as diligências realizadas pela Polícia Federal. Em nota, afirmou que as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos investigados são “rigorosamente lícitos”.

"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração", diz a defesa.

"De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", acrescentou.

Caso Master amplia pressão sobre atores políticos e financeiros

A nova frente da investigação aumenta a pressão sobre operadores financeiros, gestores de fundos e agentes públicos citados no inquérito. A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes financeiros ligados ao Banco Master, incluindo o uso de estruturas societárias, fundos de investimento e empresas intermediárias para movimentação de recursos.

No centro da apuração está a suspeita de que imóveis de alto valor tenham sido utilizados como forma de pagamento de vantagens indevidas. A Polícia Federal sustenta que o modelo identificado no caso de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, teria servido de referência para outras operações investigadas.

Apesar das suspeitas apontadas pela PF, as defesas dos citados negam irregularidades. No caso de Jaques Wagner, a assessoria reforça que o senador não é réu nem denunciado e afirma que o imóvel nunca integrou seu patrimônio.

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