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“Jaques Wagner tem que entregar o cargo ao presidente Lula”, diz José Genoino

Ex-presidente do PT defende saída da liderança do governo no Senado para preservar o Planalto e permitir defesa política do senador

“Jaques Wagner tem que entregar o cargo ao presidente Lula”, diz José Genoino (Foto: Agência Brasil | Agência Senado )
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247 - O ex-presidente nacional do PT José Genoino defendeu que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixe a liderança do governo no Senado enquanto responde aos questionamentos relacionados às suas relações com integrantes do Banco Master. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, da TV 247, Genoino afirmou que a medida seria necessária para evitar que as investigações sejam associadas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Genoino, as relações de Jaques Wagner com pessoas ligadas ao banco devem ser tratadas como uma questão individual e não como um tema do governo federal. Para ele, a saída voluntária do cargo permitiria que o senador concentrasse sua atuação na própria defesa, utilizando os instrumentos políticos e jurídicos disponíveis.

“Qual é o caminho para ele tirar o governo dessa relação, que o governo não tem nada com isso? É ele, de livre e espontânea vontade, entregar o cargo ao presidente Lula e pessoalmente, individualmente, usar a tribuna do Senado, usar os seus advogados para se defender”, afirmou.

Na avaliação do ex-dirigente petista, a permanência de Wagner na liderança do governo cria condições para que adversários políticos tentem vincular o episódio diretamente ao Palácio do Planalto. Ele argumenta que a oposição e os principais veículos de comunicação buscam associar o caso ao governo Lula e que a renúncia ao cargo seria uma forma de impedir essa narrativa.

Genoino sustentou que o governo tem demonstrado respeito à autonomia das instituições, citando a atuação da Polícia Federal e do Judiciário. Por isso, segundo ele, a melhor forma de preservar essa posição seria separar a investigação da estrutura governamental.

“O governo Lula está demonstrando, nesse episódio, um governo que tem uma Polícia Federal com autonomia, que não está passando pano na cabeça de ninguém, não está botando sujeira debaixo do tapete”, declarou.

Ao longo da entrevista, o ex-presidente do PT repetiu diversas vezes que a saída da liderança não representaria admissão de culpa nem significaria abandono político de Jaques Wagner. Pelo contrário, afirmou que o senador teria mais liberdade para responder às acusações e atuar politicamente sem carregar a responsabilidade institucional de representar o governo no Senado.

Para sustentar sua posição, Genoino recordou sua própria experiência durante a crise do chamado mensalão. Ele lembrou que deixou a presidência nacional do PT em 2005 quando surgiram acusações envolvendo empréstimos contraídos pelo partido e afirmou que, posteriormente, a Justiça reconheceu a legalidade dessas operações.

“Eu saí da presidência do PT. Acho que um cargo como esse é melhor a gente sair dele para defender. Eu acho que o Jaques Wagner tem que sair da liderança, se defender, deixar o Lula à vontade para fazer a disputa política”, disse.

O ex-deputado também argumentou que a estratégia mais eficaz para o PT seria separar claramente as responsabilidades institucionais das responsabilidades individuais. Segundo ele, a defesa jurídica e política das relações de Wagner com dirigentes do Banco Master cabe ao próprio senador, enquanto o partido deve concentrar sua atuação na denúncia do que considera uma tentativa de exploração política do caso.

Genoino afirmou ainda que a investigação ocorre em um ambiente de disputa política e que a esquerda deve evitar repetir, em sua avaliação, os erros cometidos durante os episódios do mensalão e da Operação Lava Jato, quando o partido teria adotado uma postura defensiva.

“Ele abre mão do cargo e vai para a ofensiva. Ele não pode abrir mão e ficar calado. Tem que abrir mão do cargo e ir para a ofensiva. O PT ir para a ofensiva”, afirmou.

Apesar de defender o afastamento da liderança do governo, Genoino destacou que não considera o episódio capaz de comprometer a candidatura de Lula à reeleição em 2026. Para ele, a preservação da autonomia das investigações e a separação entre o caso e o governo federal são elementos suficientes para impedir que a situação produza impactos eleitorais duradouros.

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