Enquete 247: 96% defendem o afastamento de Jaques Wagner da liderança do governo
Em levantamento com mais de 6 mil votos, posição é de quase unanimidade contra o senador petista
247 - Levantamento realizado pela TV 247 nesta sexta-feira (19) junto à sua comunidade no YouTube mostra que 96% dos participantes defendem o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo Lula (PT) no Senado. A enquete, que teve mais de 6,3 mil votos até o momento da publicação desta reportagem, aponta uma posição de quase unanimidade contra a permanência do senador petista no posto.
A consulta feita pela TV 247 perguntou aos internautas: “Na sua opinião, o senador Jaques Wagner deve se afastar ou ser afastado da liderança do governo Lula?”. Apenas 4% responderam “não”, enquanto a ampla maioria votou “sim”, em meio ao avanço das investigações envolvendo o parlamentar no caso Banco Master.
O resultado da enquete ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferir pedidos da PF (Polícia Federal) para uma operação realizada na quinta-feira (18) contra Jaques Wagner. A investigação apura suspeitas relacionadas ao Banco Master, à aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador e a repasses milionários a empresas associadas ao núcleo familiar do senador.
A investigação apura, em tese, crimes financeiros, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos conexos atribuídos a gestores e operadores ligados ao Banco Master. O caso envolve uma suposta organização criminosa estruturada em núcleos voltados a fraudes financeiras, cooptação de agentes públicos, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e obstrução da atuação estatal fiscalizatória.
As apurações tratam de uma possível relação ilícita entre gestores do Banco Master, especialmente Augusto Ferreira Lima e Daniel Bueno Vorcaro, e o senador Jaques Wagner. A PF sustenta que foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado.
De acordo com o documento da investigação, a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal. Para a autoridade policial, essa proximidade teria criado um ambiente favorável a tratativas reservadas em defesa de interesses privados do Banco Master.
A representação menciona mensagens, áudios, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares como elementos de aproximação entre os investigados. A investigação contra Wagner foi organizada em três eixos principais.
O primeiro eixo envolve a possível entrega de vantagens econômicas, com destaque para a aquisição do apartamento número 1.702 do empreendimento Poème Horto, em Salvador. O segundo trata de pagamentos e repasses à BN Financeira Ltda. e a outras empresas vinculadas ao núcleo familiar do senador. O terceiro examina indícios de atuação parlamentar de Wagner em temas de interesse do Banco Master.
O caso Banco Master também envolve denúncias relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro e à sua relação com Daniel Vorcaro, dono do banco, preso em meio a investigações sobre fraudes bilionárias na instituição. Segundo reportagem do Intercept Brasil, Flávio negociou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar “Dark Horse”, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Mensagens, áudios e documentos indicam contatos frequentes entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Ainda de acordo com as informações disponíveis, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos para a produção do filme.




